Pontes destruídas pela força da água. Estradas danificadas pelo deslizamento de terra. A catástrofe climática de 2024 deixou marcas na estrutura logística do Rio Grande do Sul, que vão desde o aumento no tempo de deslocamento de uma cidade para outra até o temor de que novos eventos aconteçam e que, com eles, vidas sejam perdidas.
Apesar disso, a luta por uma retomada resiliente já começou, com obras em estágio avançado e outras ainda em fase de desenvolvimento de projetos, mas com a esperança de que possam suportar futuras calamidades.
Um destes casos está no limite natural formado pelo rio Forqueta entre as cidades de Lajeado e Arroio do Meio, no Vale do Taquari. A paisagem que era contemplada pela família Haas a partir da janela da sala e da varanda da sua casa, no bairro Barra da Forqueta, em Arroio do Meio, mudou completamente depois que eles tiveram de deixar o local às pressas no início de maio e viram o próprio lar ficar submerso pela água.
Um mês depois de ficarem abrigados na casa de uma filha, ao retornarem, os idosos Alcídio e Arsênia Haas, ambos com 83 anos, perceberam que a vista para a ponte da ERS 130 tornou-se uma paisagem de escombros e destruição. Entretanto, nos últimos meses, o cenário mudou novamente.
Desta vez, as obras da nova estrutura avançaram e a ponte que voltará a aproximar as duas cidades começa a tomar forma. “Vai ser muito útil quando ficar pronta. Vão reconstruir uma bem melhor. A prioridade é que façam algo bem-feito e seguro”, relatou Alcídio.
Neta do casal, Camila Dessoy, de 23 anos, reside no mesmo terreno. Estudante de Fisioterapia na Univates, conta que o trajeto para suas aulas, antes da queda da ponte, durava 5 minutos e agora leva 25 minutos. “Agora que a gente dá a importância devida à ponte”, disse.
A construção da nova ponte sobre o Rio Forqueta já é visível | Foto: Camila Cunha
A estrutura robusta da nova ponte já chama a atenção de quem olha, mesmo que de longe, seja pela altura das vigas como pelo tamanho da rampa. Segundo a família, nos finais de semana, muitas pessoas vão até o local para passear ou para averiguar as obras.
Em execução desde o segundo semestre de 2024, a nova ponte é uma obra da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), com custo estimado em R$ 14 milhões e financiada com recursos da cobrança de pedágio. Em janeiro, foi concluída a construção das vigas e pilares em concreto armado, que darão sustentação para os 172 metros da nova ponte, sendo 51 metros maior e 5 metros acima da antiga.
Construção da nova ponte sobre o Rio Forqueta tem custo estimado em R$ 14 milhões | Foto: Camila Cunha
Após, a EGR atuará na etapa de montagem da treliça, estrutura responsável pelo transporte e o posicionamento das vigas e das peças pré-moldadas na ponte. Além disso, nas extremidades, seguem em construção o aterro de nivelamento da rodovia com a ponte. A previsão da EGR é que a entrega ocorra no final de março. O projeto prevê uma rampa de 170 metros de pista até a altura da nova estrutura. A ponte antiga foi destruída no dia 2 de maio de 2024, durante a enchente no Vale do Taquari. Parte dela segue caída sobre as margens do rio Forqueta.
Fonte: CP
