Caravelas portuguesas foram avistadas por veranistas na praia do Mar Grosso, em São José do Norte
Neste verão, além das águas-vivas de espécie que as pessoas que frequentam as praias do Litoral Sul estão acostumadas a ver, nesta temporada tambem devem se preocupar com a presença das caravelas portuguesas. A espécie é azulada e arroxeada, tem tentáculos mais longos, flutua na água e pode causar reações alérgicas intensas. Aquelas que encalham na areia foram levadas pelo vento e pela maré e estão mortas. Somente no dia 2 de fevereiro, os guarda-vidas instalados na praia do Cassino, em Rio Grande, atenderam 560 casos de acidentes com águas-vivas. Vários causados por esta espécie que, no final de semana passado, foi vista na praia do Mar Grosso, em São José do Norte.
O professor Renato Nagata, do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), explica que nem todos os casos envolvendo caravelas devem ser levados para atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). “É recomendar buscar auxílio médico se a pessoa tem sintomas como câimbra, fadiga, fraqueza muscular ou febre, que podem desenvolver alergias. Se for apenas dor no local não é recomendado”, disse.
Nagata afirmou que a caravela não é muito comum, por isto a importância de monitorar os sintomas, que em certos casos podem durar semanas. “São da região tropical no oceano aberto e são trazidas pelos ventos e habitam mar aberto. São mais tóxicas e os sintomas de dor, inchaço marcas na pele lineares e vermelhas podem durar vários dias”, ressaltou.
Ele explicou que as ocorrências aumentam quando não há vento, nem ondulações. “Quando há o vento, ele dispersa e diminui a concentração de águas-vivas, apesar de estarmos em época com muita ocorrência em função da temperatura alta, quando é propício para a reprodução da espécie e acabam ocorrendo acidentes”, completou. Turistas como o aposentado Luiz Cláudio Oliveira da Silva, de 67 anos, de Santa Maria, não deixam mais o vinagre em casa. “Soube que tinha muita água-viva na praia, então além de não entrar na água comecei a trazer vinagre. No outro dia fui queimado por uma delas e parecia um cobreiro de tanta dor”, comparou. Ele disse que não deixa o produto em casa, até mesmo para ajudar quem possa precisar. “Peguei dois vidros, pois vemos crianças sofrendo acidentes e até chegar em casa, em muitos casos, leva tempo”, justificou.
Conforme dados do boletim da Operação Verão no Litoral Sul, os casos de acidentes com águas-vivas até o domingo passado chegaram a 13.938. Destes 12.072 ocorreram no Cassino, outros 1.015 na praia do Mar Grosso e os demais noutras praias. “Nossa contabilidade é feita por queimadura por água-viva. Só sabemos pelo nível da lesão depois o tipo que causou o acidente”, justificou o comandante dos guarda-vidas na praia do Cassino, tenente Douglas Konrad Vilela.
Para ele, o grande aparecimento acontece também pelo desequilíbrio nas espécies. “A extinção da tartaruga marinha, que é um predador natural, e o aquecimento das águas fazem com que se proliferem e cresçam exponencialmente”, observou. Segundo ele, há um fluxo contínuo de pessoas vítimas deste tipo de acidente. “Tivemos no último feriado o caso de uma menina que precisou ser encaminhada para a UPA. Ela, aparentemente, estava entrando em choque e teve que sair da praia de ambulância”, exemplificou.
Vilela enfatizou que a dica aos turistas e veranistas é prestar a atenção nas guaritas de guarda-vidas. “Quando tem manifestação muito forte sempre colocamos a bandeira roxa. Nesses casos, o recomendável é evitar o banho de mar”, orientou. Ele ensina que, em casos de acidente, é essencial não esfregar o local da queimadura.
“As águas-vivas têm microcápsulas de veneno e o vinagre consegue neutralizar as partículas que não eclodiram. As que já eclodiram ele ajuda a amenizar a dor, mas a ideia é evitar que eclodam. Após aplicar o produto pode jogar em cima da queimadura somente água do mar”.
