O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, advertiu, nesta quarta-feira, 18, que seu país ‘nunca se renderá’ a Israel – que bombardeou suas instalações nucleares – e ameaçou com ‘danos irreparáveis’ caso Washington se una à ofensiva.
“A nação iraniana se opõe firmemente a uma guerra imposta, como se oporá firmemente a uma paz imposta. Esta nação nunca se renderá às ordens de ninguém”, afirmou Khamenei em um discurso televisionado. O líder iraniano também fez uma advertência aos Estados Unidos: “Os norte-americanos devem saber que qualquer intervenção militar de sua parte implicará danos irreparáveis”.
O presidente americano, Donald Trumo, havia dito que seu país poderia matar Khamenei, alimentando a especulação sobre um envolvimento direto de Washington no conflito iniciado por Israel na última sexta-feira. Nesta quarta-feira, Trump voltou a deixar no ar a possibilidade de Washington participar do conflito. “Pode ser que o faça, pode ser que não. Isto é, ninguém sabe o que vou fazer”, declarou.
Itamaraty confirma saída de 27 autoridades brasileiras de Israel
O Itamaraty confirmou nesta quarta a saída das 27 autoridades brasileiras que estavam em Israel quando foi deflagrado o conflito com o Irã.
A operação foi custeada pelo governo israelense. Israel arcou com o seu transporte terrestre até a Jordânia e suas passagens aéreas de retorno para o Brasil em voos comerciais, bem como hospedagem para aqueles que necessitarão de pernoites em Amã até a definição da data de embarque, tendo em conta a oferta de voos em operação no aeroporto internacional da capital jordaniana nos próximos dias.
Segundo a nota, o primeiro grupo de autoridades, que cruzou a fronteira de Israel com a Jordânia na segunda-feira e deslocou-se à Arábia Saudita para embarcar em voo privado, pousou em território brasileiro na manhã de hoje.
“A Embaixada do Brasil em Tel Aviv insta todos os brasileiros e brasileiras em Israel a seguirem estritamente as recomendações do “Home Front Command” israelense e a permanecerem sempre nas proximidades de abrigo fortificado (“bunker” ou equivalente), para onde devem se dirigir imediatamente ao ouvir sirenes ou outros alertas, diz o Itamaraty.
Foto: Jack Guez / AFP
Irã: Intervenção dos EUA pode expandir a guerra
Foto: Banaras Khan / AFP
O ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta quarta-feira que qualquer intervenção americana no conflito em curso atualmente com Israel seria uma abertura para uma guerra completa, com ‘consequências muito negativas para a comunidade internacional’.
Em entrevista à Al Jazeera, o porta-voz da pasta, Esmaeil Baghaei, disse que as ações israelenses se tratam de uma guerra de agressão, e que ‘estamos nos defendendo’.
Segundo o representante, a atuação de Israel se trata da continuação de guerra em Gaza e de intervenções em toda a região, incluindo países como Síria e Líbano.
Praia em Tel Aviv
Foto: AHMAD GHARABLI / AFP
Apesar do conflito com Irã, moradores de Tel Aviv aproveitam para ir para a praia nesta quinta.
Apenas o “povo iraniano” pode promover uma mudança de regime, diz oposição no exílio
O Conselho Nacional da Resistência do Irã (CNRI), a oposição no exílio ao governo de Teerã, disse nesta quarta-feira (18) que cabe ao povo iraniano derrubar o regime islâmico de seu país, em plena ofensiva de Israel.
“A solução para esta guerra e para esta crise passa pela derrubada deste regime e uma mudança de regime pelo povo iraniano e sua resistência”, declarou a presidente do CNRI, Maryam Rajavi, em uma coletiva de imprensa no Parlamento Europeu em Estrasburgo, junto a um grupo de eurodeputados.
Para Rajavi, o fim do regime teocrático “não pode ocorrer por meio da nomeação de um rei pela Inglaterra, como aconteceu há 100 anos”.
“Não pode ser imposto como em 1953, com o golpe de Estado americano contra o governo nacional do doutor Mossadeq, através da repressão, execuções e tortura”, insistiu a opositora, acusando Khamenei de “afundar” os iranianos “na guerra e na insegurança para preservar seu regime frágil e fracassado”.
O CNRI, com sede na França, é uma coalizão política de grupos de oposição iranianos, entre os quais os mais conhecidos são os Mujahedines do Povo (MEK), uma organização considerada como “terrorista” pela UE até 2008.
Fonte: CP
