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Argentina: Do ‘não se negocia’ à política da vida real: governo Milei recua e modifica lei ‘omnibus’ para convencer Congresso a aprová-la

O governo de Javier Milei enviou a deputados nesta sexta-feira (19) uma proposta para mudar a chamada “lei omnibus“, um megaprojeto de lei com 664 artigos que trata de diversos temas —entre os quais, a privatização de empresas e um item que dá superpoderes ao presidente da Argentina até o fim do mandato, em dezembro de 2027.

É o primeiro recuo prático do governo Milei, dez dias depois de o porta-voz, Manuel Adorni, ter dito que “não se negocia” —ou seja, que não aceitaria alterações no conteúdo do projeto. A medida ocorre em meio à dificuldade de aprovação do texto no Congresso.

“Não se negocia, o que não significa que não estejamos abertos ao diálogo, que não aceitamos sugestões e que não nos sentemos para conversar com todos que, bem intencionados, efetivamente apoiam e entendem que a mudança na Argentina é necessária e que não pode continuar assim”, disse Adorni em 9 de janeiro na Casa Rosada.

Segundo o jornal “La Nación”, que conversou com deputados que receberam as propostas de mudanças, o governo Milei enviou alterações em 100 artigos. Não foram todos os deputados que receberam as novas propostas, mas, sim, um grupo de deputados que estão dispostos a votar a favor da “lei omnibus” caso alguns itens sejam alterados. A expressão “omnibus” se refere a projetos de leis que mudam vários tópicos relacionados ou entre si. “Omnibus” vem do latim e significa “para todos”.

Há vários recuos em comparação ao texto inicial. Entre eles, estão os seguintes:

O texto que foi enviado aos deputados também muda aspectos relacionados a temas como a venda de ativos de um fundo do órgão equivalente ao INSS brasileiro, mudança na política de “retenciones” (restrições e impostos que incidem em exportações) e outras alterações fiscais.

Também houve recuos a respeito de alterações no sistema político: Milei queria alterar as prévias que todos os partidos são obrigados a fazer na Argentina. Agora, ficou acordado que isso será objeto de uma proposta da deputada Maria Eugenia Vidal, que é uma aliada do ex-presidente Maurício Macri e já foi governadora da província de Buenos Aires.

Fonte: G1

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