Os argentinos comparecem às urnas no domingo (22) para escolher o presidente entre o candidato de extrema direita Javier Milei, um antissistema que tem como discurso acabar com a “casta política”; o atual ministro da Economia, o peronista Sergio Massa; e a conservadora Patricia Bullrich, em um clima de angústia pela grave crise econômica.
Milei, um economista de 52 anos eleito deputado apenas em 2021, abalou o tabuleiro político nas primárias de agosto, quando foi o candidato mais votado, à frente de Massa, do governista União pela Pátria, e de Bullrich, do Partido Juntos pela Mudança.
Com o discurso extremista, com a promessa de dolarizar a economia, acabar com o Banco Central, ou eliminar o Ministério da Mulher, Milei ganhou popularidade entre um eleitorado exausto por anos de estagnação econômica e uma inflação em forte alta, que alcança quase 140% em termos anuais.
“Os eleitores estão muito frustrados e acreditam que não pode ficar pior”, explica o cientista político Juan Negri, da Universidade Torcuato di Tella.
“Estamos no período da antipolítica. Começa um período de instabilidade, teremos anos de muito conflito. Estamos vivendo de maneira muito complicada o fim de uma etapa”, acrescentou.
Estagnação e pobreza
Terceira maior economia da América Latina, historicamente a sociedade argentina tem orgulho de sua ampla classe média. Porém, a economia não cresce há mais de uma década, e a pobreza disparou, afetando mais de 40% da população.
A Argentina tem um compromisso com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um programa de crédito de US$ 44 bilhões (R$ 223,9 bilhões na cotação do dia) que exige uma redução significativa do déficit fiscal.
Nas semanas anteriores à eleição, o país registrou uma corrida frenética no mercado cambial, que elevou para mais de 1.000 pesos a cotação do “dólar blue”, como é conhecida a taxa de câmbio informal, contra uma taxa oficial de 365 pesos por dólar.
A moeda americana é o refúgio habitual dos poupadores na Argentina. Quem tinha condições, também comprou algum produto eletrônico, temendo aumento de preços após a eleição.
“É uma incerteza total. Você nunca sabe se o aluguel será renovado, em quanto vão aumentar a mensalidade da universidade, ou os preços dos supermercados”, reclama Valentín Figuera, um estudante de 20 anos do bairro nobre de Palermo, em Buenos Aires.
Nem o governo atual do peronista de centro-esquerda Alberto Fernández (2019-2023), nem a administração de seu antecessor, o direitista Mauricio Macri (2015-2019), conseguiram mudar a tendência de deterioração econômica.
Fonte: CP
