Ícone do site Tapejara Agora

Cadeia do trigo ganha novas demandas e amplia oportunidades para produtores

As novas oportunidades da cadeia do trigo foram debatidas na tarde desta quarta-feira, durante a 26ª edição da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. Lideranças do setor, pesquisadores e especialistas de mercado ressaltaram a importância de o produtor rural se abrir para novas demandas da cultura. As palestras foram realizadas durante o 11º Fórum Estadual do Trigo.

O coordenador da Câmara Setorial do Trigo na Secretaria da Agricultura, Tarcísio Minetto, esteve presente no evento e reconheceu o momento desafiador do setor devido ao baixo preço praticado no mercado. Por outro lado, valorizou as novas oportunidades para o produtor diluir os custos da safra de verão.

“A gente vive um momento bem delicado do ponto de vista da renda no campo, mas é preciso olhar a propriedade de forma sistêmica. É preciso entender como a cultura do trigo entra no inverno, diluindo custos fixos e aproveitando a oportunidade de expandir a cobertura de solo. E que isso não seja visto apenas pelo ganho de produtividade, mas também pela renda gerada por hectare dentro dessa relação. Seja produzindo trigo para usar na ração para a produção animal, para a alimentação humana, para exportação ou para biodiesel”, afirmou.

Um dos painéis do evento foi intitulado “Cadeia do trigo — importância estratégica”, com a participação do engenheiro agrônomo da Embrapa Trigo, Giovani Faé, e do pesquisador da CCGL, Tiago Horbe. Eles ressaltaram a importância do planejamento e da adoção de um sistema diversificado para mitigar riscos.

“É um cenário difícil, em que o produtor realmente fica em uma encruzilhada sobre o que fazer. Mas o planejamento deve ser feito pensando em um sistema de produção de longo prazo. O produtor que toma decisões apenas no curto prazo acaba sendo penalizado, porque o cenário de oscilação climática, econômica e agora também geopolítica é recorrente”, afirmou.

Além dos usos mais consolidados, como a produção de alimentos — pão, massas e biscoitos —, atualmente também há demanda para produção de etanol, glúten vital (proteína do trigo) e cereal feed (utilização para alimentação animal).

“É um componente chave, porque hoje, no inverno, principalmente aqui no Rio Grande do Sul, ele é o principal cultivo rentável. Só que, para realmente chegar à rentabilidade, é preciso fazer um bom posicionamento das genéticas disponíveis, realizar um bom manejo para ter um custo competitivo e, principalmente, saber para quem vender”, explicou.

 Giovani Faé (E) e Tiago Horbe (D) ressaltaram importância do planejamento para o produtor | Foto: Renê Almeida / Especial / CP

Outro painel foi comandado pela pesquisadora da Embrapa, Teresinha Bertol. Ela apresentou alguns resultados de pesquisas com culturas alternativas ao milho para alimentação animal.

“Há amostras de trigo e de triticale com valor nutricional muito elevado, inclusive de cevada, que normalmente tem um valor energético inferior. No entanto, algumas variedades apresentaram valor energético e nutricional bastante elevados”, explicou.

A pesquisadora destaca que já existem estudos mostrando que a substituição de 100% do alimento dos animais por triticale resultou em desempenho semelhante ao dos animais alimentados com milho.

 Teresinha Bertol falou sobre utilização de trigo para alimentação animal | Foto: Camila Cunha

Fonte: CP

Sair da versão mobile