O Especial Outubro Rosa do Bella Mais, que começa a ser publicado hoje, trará uma série de cinco matérias ao longo de outubro, sempre às terças-feiras, explorando diferentes aspectos sobre o câncer de mama no Brasil.
Com um olhar aprofundado, cada texto abordará desde os fatores que contribuem para o aumento dos casos no país até as desigualdades no tratamento e o impacto emocional enfrentado por mulheres diagnosticadas. Complementando as matérias, às quintas-feiras, o podcast Bella Talks contará com entrevistas com especialistas e histórias de superação, destacando vozes que ajudam a entender os desafios e as vitórias na luta contra o câncer de mama.
O número de novos casos de câncer de mama tem aumentado no Brasil, seguindo uma tendência global projetada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Em 2008, eram cerca de 50 mil novos diagnósticos de câncer de mama no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Já em 2023, esse número chegou a quase 74 mil. Além disso, o câncer de mama tem afetado cada vez mais mulheres jovens, fora da faixa de cobertura mamográfica.
A taxa de mortalidade também tem crescido no País, o que contrasta com a realidade de países com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), onde a mortalidade tem diminuído nas últimas décadas, mesmo com altas taxas de incidência. Segundo a médica Maira Caleffi, mastologista, chefe do serviço de Mastologia do Hospital Moinhos de Vento e presidente voluntária da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), o crescimento está relacionado ao envelhecimento da população, ao aumento de fatores de risco e ao estilo de vida moderno.
Principal causa de morte por câncer
O câncer de mama é a segunda causa de morte por câncer no País, representando 10,5% dos óbitos oncológicos femininos, de acordo com Inca no triênio 2023-2025. Os dados revelam ainda que as regiões Sul e Sudeste registram as maiores taxas de mortalidade, com 12,69 e 12,43 óbitos por 100 mil mulheres, respectivamente, enquanto a taxa nacional ajustada foi de 11,71 óbitos por 100 mil mulheres.
A neoplasia de mama é uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres no Brasil, com cerca de 18.295 mortes registradas em 2021, resultando em uma taxa de mortalidade de 14,23 por 100 mil mulheres. “Essa relação entre o acesso ao diagnóstico e as taxas de mortalidade é inversa, ou seja, quanto mais acesso ao diagnóstico, menor a mortalidade pela doença”, diz a mastologista da Sociedade Brasileira de Mastologia, Larissa Oliveira de Aquino.
Câncer de mama no RS
No Rio Grande do Sul, que tem uma das maiores incidências ajustadas de câncer de mama na Região Sul, a mortalidade acompanha essa alta taxa. A Região Sul, com um percentual de 15,3% de mortalidade proporcional por câncer de mama, está abaixo apenas do Sudeste, que lidera com 16,7%. Já a Região Norte apresentou o menor índice de mortalidade proporcional (13,7%), onde o câncer de mama ocupa a segunda posição como causa de óbito.
A mortalidade por câncer de mama é mais comum em mulheres de idade avançada, mas o grupo de 50 a 69 anos concentra cerca de 45% dos óbitos. Ao longo dos anos, houve uma redução nas mortes entre mulheres de 40 a 49 anos e um aumento na proporção de óbitos em mulheres acima de 80 anos, possivelmente devido ao envelhecimento da população e à maior sobrevida proporcionada pelos tratamentos.
A pandemia de Covid-19 também influenciou os dados de mortalidade entre 2020 e 2021, com uma queda observada nos registros de óbitos por câncer de mama, possivelmente relacionada à concorrência com óbitos pela doença.
O mais incidente entre as mulheres
O câncer de mama segue como o mais incidente entre as mulheres no Brasil, desconsiderando os tumores de pele não melanoma, com destaque para as regiões Sul e Sudeste, que apresentam as maiores taxas de incidência. No Rio Grande do Sul, o número de novos casos estimado é de 3.720 por ano, com uma taxa de 62,67 por 100 mil mulheres.
No entanto, quando ajustada por idade, essa taxa cai para 36,60, a menor da Região Sul. Em comparação, Santa Catarina apresenta a maior taxa ajustada da região, com 74,79, seguida pelo Paraná com 41,06.
Essas diferenças nas taxas ajustadas são essenciais para entender a magnitude da doença e planejar ações locais de prevenção e tratamento, considerando as variações demográficas. A Região Sudeste, por exemplo, lidera os números nacionais, com uma taxa ajustada de 52,83 casos por 100 mil mulheres, sendo o Rio de Janeiro o estado com maior incidência ajustada do país, registrando 70,57.
As variações regionais reforçam a necessidade de estratégias específicas para cada estado, considerando as disparidades nos índices. Enquanto estados do Norte, como Amapá e Amazonas, apresentam taxas ajustadas de 20,04 e 28,34, respectivamente, a região Sul demanda atenção pela alta prevalência.
Fatores de risco e estilo de vida
Caleffi destaca que as razões para o aumento dos casos não são totalmente conhecidas, mas existem fortes indícios de que fatores ambientais e de estilo de vida influenciam. “Sedentarismo, tabagismo, alimentação processada e exposição a poluentes estão entre os fatores que podem estar elevando a incidência da doença”, afirma.
A prevenção primária, por meio de hábitos saudáveis e maior acesso a exames de rotina, é uma das chaves para reduzir a incidência da doença. No entanto, a especialista ressalta que o Brasil enfrenta grandes desafios na área de saúde pública, especialmente em relação ao diagnóstico precoce e ao acesso ao tratamento nas suas diferentes regiões.
Aquino diz que um dos principais desafios no combate à doença é o diagnóstico tardio. “Muitas mulheres são diagnosticadas apenas em estágios avançados, o que reduz significativamente as chances de cura. A falta de conscientização sobre a importância do autoexame e da mamografia, aliada ao acesso restrito a exames de diagnóstico, contribui para esse cenário, especialmente em áreas de menor renda e em regiões mais remotas”, reforça.
Fonte: CP
