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Congresso bate recorde de emendas constitucionais em 2022

Palácio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios em Brasília

Congresso Nacional promulgou 14 emendas constitucionais ao longo de 2022. O número é recorde para um único ano desde 1988, quando nasceu a atual Constituição Federal.

A legislatura atual promulgou ao todo 29 emendas, o equivalente a 22,6% de todas as matérias do tipo. O número de promulgações de 2022 é quase o dobro do ano recordista anterior (2014), com oito.

Além desses dois anos recordes, em apenas cinco outros anos houve pelo menos seis promulgações, e dois deles também integram a legislatura atual (2019-2022). A única exceção é o ano de 2020, primeiro da pandemia de Covid-19.

A Constituição foi modificada 140 vezes desde 1988. Além das 128 emendas regulares, há as seis emendas aprovadas durante a revisão de 1994 (quando se adotou um procedimento simplificado) e seis tratados internacionais sobre direitos humanos que foram aprovados pelo Congresso com quórum de emenda constitucional e, por isso, têm a mesma força.

As emendas promulgadas neste ano tratam de assuntos diversos: desde regras eleitorais, passando por temas como tributação, direito trabalhista, entre outros. Veja a lista completa abaixo.

As de maior repercussão foram as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) aprovadas que trataram do orçamento, como a PEC do Estouro e a PEC dos Benefícios — também conhecida como PEC Kamikaze, aprovada antes das eleições. Ambas aprovadas com votos de governistas e da oposição.

Promulgada em 14 de julho, a PEC dos Benefícios possibilitou ao governo gastar por fora do teto de gastos mais R$ 41,25 bilhões até o fim do ano para aumentar benefícios sociais, conceder ajuda financeira a caminhoneiros e taxistas, reforçar a compra de alimentos para pessoas de baixa renda e incentivar a redução de tributos do etanol.

Dos R$ 41,25 bilhões, estavam previstos R$ 26 bilhões para ampliar o Auxílio Brasil, que passou a ter valor mínimo de R$ 600 para cada família, e R$ 1,05 bilhão para o Auxílio Gás. O restante do montante foi alocado para a criação de subsídios a caminhoneiros e taxistas, entre outras medidas.

Com a aprovação e promulgação, o Auxílio Brasil, no valor mínimo de R$ 600, começou a ser pago aos beneficiários em agosto.

Governo Bolsonaro é responsável por um quarto de todas as emendas sofridas até hoje / Agência Senado

Para que o valor continuasse a ser pago no primeiro ano do novo governo, o Congresso articulou a aprovação de uma nova emenda para manter o auxílio de R$ 600. Era a PEC do Estouro.

O Congresso promulgou no último dia 21 essa proposta, que determinou a expansão do teto de gastos em R$ 145 bilhões, conforme texto aprovado tanto no Senado como em dois turnos na Câmara dos Deputados. O prazo de vigência desta regra extraordinária, porém, foi reduzido de dois para um ano.

A aprovação da PEC do Estouro ampliou os gastos para garantir o valor de R$ 600 para o Bolsa Família (antigo Auxílio Brasil) em 2023 está sendo considerada a primeira vitória do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O Senado aprovou a PEC do Estouro, em segundo turno, por 63 votos a 11. “A votação expressiva mostra a capacidade de articulação do governo Lula, que é conhecido por isso”, disse o cientista político Renato Dolci à CNN.

Ao mesmo tempo, ele destaca que “essa articulação tem fundamental presença de Lira e interesse do Centrão, que apoia a decisão”.

Segundo o especialista, os parlamentares que integram o Centrão estão “de olho na barganha de potenciais cargos que possam vir a cobrar devido ao apoio ao texto”.

Simplificação do processo de aprovação de PECs

O consultor legislativo Gilberto Guerzoni, especialista em direito constitucional, aponta uma simplificação do procedimento de aprovação de emendas constitucionais, o que leva a aprovações mais rápidas.

Até porque, segundo ele, temas gestados dentro do Congresso ficam menos sujeitos a obstruções. Soma-se a isso a desenvoltura cada vez maior do Congresso com ferramentas criadas para a pandemia e que acabaram sendo incorporadas ao dia a dia, como votações à distância e deliberações diretamente no Plenário.

“Quase todas as PECs do Congresso foram aprovadas por unanimidade ou muito próximo disso. Não foram polêmicas, não tiveram grande oposição nem disputa voto a voto. Os procedimentos adotados durante a pandemia também acabaram facilitando a aprovação de matérias mais consensuais, sem passar pelas comissões ou receber muitas emendas”, explica.

O consultor avalia ainda que o número de emendas promulgadas “acima do normal” em 2022 reflete uma tendência já duradoura de o Legislativo adquirir mais força nas suas relações com o Executivo e se impor na definição da pauta nacional.

Veja a lista completa de emendas constitucionais de 2022:

*Com informações da Agência Senado e de Ana Carolina Nunes, Gabriel Hirabahasi e Amanda Monteiro, da CNN

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