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Covid-19 ainda registra casos graves, mas permanece em queda no RS após seis anos da pandemia

Na semana em que a chegada da Covid-19 ao Estado completa seis anos, relatos recentes de novos casos têm voltado a circular entre no Rio Grande do Sul e em outras regiões do país. Apesar da percepção de aumento de infecções leves, os dados oficiais indicam que o cenário atual ainda está dentro do esperado para esta época do ano e com números menores de hospitalizações e mortes em comparação a anos anteriores.

Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, o Estado registrou 1.263 hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026. Desse total, 192 foram atribuídas à Covid-19 e 55 à influenza. A maioria, 709 casos, não teve agente viral especificado.

No mesmo período, foram registradas 93 mortes por SRAG no Estado, sendo 29 relacionadas à Covid-19. O número representa queda em relação a anos anteriores: em 2025 eram 192 mortes e, em 2024, 284.

Em Porto Alegre, os números seguem tendência semelhante. A Capital soma 117 hospitalizações por SRAG neste ano, sendo 24 por Covid-19. No mesmo período de 2025 eram 221 internações e, em 2024, 313. Até agora, a cidade registra 13 mortes por SRAG em 2026, sendo cinco relacionadas ao coronavírus.

De acordo com a Secretaria da Saúde de Porto Alegre, o cenário atual não foge do padrão esperado. Tradicionalmente, as doenças respiratórias começam a crescer a partir do final de abril, com pico entre junho e agosto.

Dados do painel de acompanhamento da ocupação de leitos na Capital apresentavam uma taxa de 99% até o início da tarde de segunda-feira. Ao todo, 4384 pacientes estavam internados nos 4420 leitos disponíveis.

Deste total, 1427 estavam em leitos clínicos. Com 244 casos, as doenças respiratórias aparecem na quinta posição entre os grupos com maior número de internações, atrás de oncologia, psiquiatria, infecto – outros e gastroenterologia, respectivamente. Entre os PA’s, Moacy Scliar, na zona Norte, apresenta a maior taxa de ocupação com 318%.

Covid hoje é considerada endêmica

Para o infectologista Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Porto Alegre e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, a Covid-19 hoje apresenta um comportamento diferente daquele observado durante a pandemia.

“Após seis anos do início da pandemia, a Covid-19 entrou em uma fase de circulação endêmica. Isso significa que o vírus continua presente na população, mas com um impacto muito menor em comparação aos primeiros anos da pandemia”, explica.

Segundo ele, a maioria dos casos atuais está ligada a variantes da linhagem Ômicron. “Essas variantes apresentam maior transmissibilidade, mas, em geral, estão associadas a menor gravidade em populações com alta cobertura vacinal”, afirma.

Pasqualotto também destaca que hoje vários vírus respiratórios circulam ao mesmo tempo, o que pode aumentar a percepção de casos. “Infecções respiratórias graves sempre ocorreram, especialmente nos meses de inverno. Hoje observamos um cenário em que vários vírus respiratórios circulam simultaneamente e a Covid-19 passou a ser apenas um deles.”, diz.

Dados do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz, indicam crescimento nacional de casos de SRAG nas últimas semanas, impulsionado principalmente por rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza A.

Outro fator que pode influenciar a percepção da população é a redução na testagem. Segundo Pasqualotto, hoje os exames são realizados principalmente em situações específicas, como em pacientes hospitalizados, pessoas de grupos de risco ou investigação de surtos. “No início da pandemia havia uma estratégia ampla de testagem populacional. Hoje o teste é feito principalmente quando o resultado pode influenciar o tratamento”, explica.

Com isso, casos leves muitas vezes não são registrados oficialmente. “Como muitas pessoas com sintomas leves não se testam, é provável que exista algum grau de subnotificação”, afirma.

Vacinação ainda é fundamental

A vacinação contra a gripe no Estado deve começar no dia 28 de março, conforme previsão da Secretaria Estadual da Saúde. Já a vacina contra Covid-19 segue disponível em Porto Alegre apenas para públicos prioritários, como idosos, pessoas com comorbidades, gestantes, profissionais de saúde e outros grupos definidos pelas autoridades sanitárias.

Atualmente, algumas faixas etárias estão sem estoque da vacina na rede municipal, segundo o painel de monitoramento da prefeitura.

De acordo com Pasqualotto. a imunidade contra o SARS-CoV-2 diminui gradualmente ao longo do tempo, especialmente em relação à proteção contra infecção. Ele explica que os estudos mostram que a proteção contra doença grave e hospitalização tende a durar mais, mas também sofre redução após alguns meses, particularmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

“Por isso, recomenda-se doses de reforço periódicas, principalmente para grupos de maior risco. As recomendações sobre vacinação são frequentemente atualizadas pela Secretaria de Saúde – o melhor é sempre seguir as recomendações oficiais”, conclui o especialista.

Fonte: CP

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