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Cresce o uso da homeopatia na pecuária gaúcha

O uso da Homeopatia na pecuária vem crescendo de forma significativa no Rio Grande do Sul e em outras regiões do país, especialmente entre produtores que buscam reduzir custos, diminuir o uso de produtos químicos e melhorar o bem-estar animal. A prática tem apresentado resultados expressivos no controle de parasitas, além de promover melhorias no comportamento e na produtividade dos animais.

Tomás Machado, técnico agrícola e extensionista rural da Emater/RS-Ascar, especialista em homeopatia em animais, plantas e agroecossistemas, explica a diferença de abordagem desta especialidade, onde o foco não está apenas em identificar sintomas, mas também descobrir as reais causas da doença.

Embora a homeopatia possa ser aplicada em diversas enfermidades, a maior demanda apresentada por produtores está relacionada ao controle de parasitas externos e internos. Os principais desafios sanitários e econômicos encontrados na pecuária são carrapatos, verminoses e mosca-do-chifre.

Entre os medicamentos mais utilizados estão Sulphur, empregado em casos de infecções e considerado um policresto, ou seja, um medicamento de ampla gama de aplicações medicinais; Cina 200CH, específica para verminoses; e Staphysagria, indicada para o controle da mosca-do-chifre e também utilizada em humanos e vegetais.

Ao serem misturados ao sal mineral ingerido pelo rebanho, os medicamentos entram na corrente sanguínea e começam a agir diretamente sobre os parasitas, alcançando o principal objetivo que é quebrar o ciclo biológico desses organismos, especialmente no solo, atuando na ovipostura e reduzindo a reinfestação.

Preventiva e curativa

Aplicada tanto de forma preventiva quanto curativa, a prática exige observação detalhada da propriedade e do agroecossistema. O técnico destaca que “o produtor precisa aprender a observar sua área, entender o ciclo dos parasitas e identificar os desequilíbrios do ambiente”. Esse processo pode levar de quatro meses a um ano, dependendo da propriedade.

Segundo o especialista, o objetivo não é eliminar os parasitas, mas reduzir a infestação a níveis aceitáveis, em torno de 80%, mantendo o equilíbrio natural do sistema. O uso de plantas repelentes e a integração com práticas agroecológicas também fazem parte da estratégia.

Produtores que adotaram a homeopatia relatam resultados visíveis em poucas semanas. Entre os principais benefícios observados estão a diminuição significativa de carrapatos e moscas, a melhora da saúde geral dos animais e a redução ou até eliminação do uso de produtos químicos.

Efeitos em uma semana

Os primeiros sinais de melhora podem ser observados em uma semana. Em áreas com alta infestação, os resultados podem levar de 15 a 30 dias para se tornarem mais evidentes. Já o controle completo do ciclo dos parasitas pode levar vários meses, exigindo paciência e persistência por parte dos produtores. A orientação é respeitar os ciclos biológicos: carrapatos levam cerca de 21 dias, vermes de 12 a 15 dias e moscas, de 28 a 35 dias. A interrupção do tratamento no início pode comprometer os resultados.

Alguns dos efeitos percebidos por produtores de gado leiteiro é o aumento na produção de leite. No gado de corte, observa-se melhor condição corporal e menor incidência de problemas sanitários. Além disso, há mudanças claras no comportamento do rebanho. Animais tratados com homeopatia tendem a apresentar menos estresse, maior docilidade e menor irritação, além de reduzir comportamentos como coçar-se excessivamente ou bater a cauda devido à presença de moscas.

Boa aceitação

Para o extensionista, a aceitação da homeopatia entre os produtores atendidos pela Emater/RS-Ascar é considerada muito positiva, especialmente entre aqueles que enfrentam dificuldades com a eficácia dos produtos químicos ou com seus custos elevados.

“A perspectiva para os próximos anos é de forte expansão da homeopatia na pecuária. Atualmente, mais de 20 mil bovinos e 6 mil ovinos já são tratados com homeopatia na região, número que deve dobrar ou triplicar nos próximos cinco anos”, projeta Machado.

Cursos, palestras, dias de campo e demonstrações práticas têm sido fundamentais para disseminar a técnica. Em muitos casos, os produtores saem desses eventos já com os medicamentos prontos para uso, facilitando a adoção. A integração da homeopatia com fitoterápicos, florais e outras práticas integrativas fortalece ainda mais esse movimento, apontando para um modelo de produção mais sustentável, econômico e saudável para animais, produtores e o meio ambiente.

Fonte: CP

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