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Decisão do PP agita cenário eleitoral no RS

Em pleno janeiro, articuladores de partidos de direita e centro-direita no RS deram início a uma série de movimentos decisivos para as eleições deste ano ao governo e ao Senado. Todos apostam que o cenário no Estado estará decidido até o final de março.

Desencadeada pela decisão do diretório do PP, que na semana passada tirou indicativo de saída da administração Eduardo Leite (PSD) e apoio à pré-candidatura do deputado federal Luciano Zucco (PL) ao Piratini, a agitação inclui, além do próprio PP e do PL, principalmente o MDB, o PSD e o Republicanos. Mas, ainda, o União Brasil e o Podemos.

O entendimento corrente, nos bastidores das siglas, é o de que a decisão do PP consolida o avanço do PL sobre legendas que no início do segundo mandato estavam fechadas com Leite. Há meses o PL desenvolve um trabalho no sentido de estabelecer focos rebeldes dentro da base governista. São públicas as agendas de Zucco com parcela de deputados e lideranças locais do PP e do Republicanos pelo Estado. E, em setembro, com a participação de parte das bancadas do Republicanos e do Podemos, foi formado um bloco de oposição à direita na Assembleia Legislativa.

A estratégia do PL, desde o ano passado, é a de acelerar o processo decisório para o fechamento de alianças. Conforme o presidente estadual do partido, o deputado federal Giovani Cherini, o próximo passo, após o indicativo tirado pelo Progressistas, é o de formar um conselho político da futura coligação. “De agora em diante já é casamento. Vamos mostrar para a sociedade nossa unidade na prática. Esperamos que as diferenças dentro do PP sejam resolvidas, e a situação pacificada até o final de março, porque desejamos uma aliança com o partido inteiro”, projeta o deputado. Já fechada com o Novo, a agremiação almeja também o Republicanos e o Podemos. A ideia é apresentar para a disputa um projeto assumidamente de direita.

Dentro deste quadro, Cherini não considera um problema a adesão do União Brasil, que forma uma federação partidária com o PP, à pré-candidatura do vice-governador Gabriel Souza (MDB). O emedebista tem o apoio de Leite para a sucessão. Unidas nacionalmente, as duas siglas enfrentam desgastes e divergências em vários estados. “O União Brasil pode até dar apoio para outra candidatura. Mas o tempo de TV deles ficará com a coligação oficial”, ressalva Cherini.

Emedebistas miram em definições da corrida nacional e na fidelidade de lideranças

Os emedebistas, que desde o início das negociações haviam estabelecido a conquista do PP como prioridade para uma aliança na chapa a ser encabeçada por seu candidato ao Piratini, o vice-governador Gabriel Souza (MDB), ainda nutrem esperanças em relação ao partido, mas já trabalham com planos alternativos. “Até o final de março certamente teremos mais clareza. Hoje ainda não é possível ter certeza do efeito prático da disputa interna pela qual o PP passa”, avalia o presidente da legenda no RS, deputado estadual Vilmar Zanchin.

Conforme ele, para além do PP, nos próximos 60 dias há pelo menos duas questões com grande influência sobre a estratégia a ser adotada por Gabriel. São elas a decisão do governador sobre se fica no cargo até o final do ano ou se sai antes para disputar a eleição. E um quadro mais nítido sobre quem serão os candidatos que de fato se apresentarão para enfrentar o presidente Lula.

Há hoje, dentro do MDB e do governo, o entendimento de que Leite, se não quiser concorrer ao Senado, ainda pode tentar se apresentar para a corrida presidencial, como uma opção ‘ao centro’ com a qual se identifique parte do eleitorado de direita. O movimento tanto colocaria Gabriel no comando do Piratini, alcançando a estratégia inicial do partido, como daria ao MDB gaúcho um candidato na disputa pelo Planalto.

“Estamos fazendo o dever de casa, conversando com os partidos e aguardando março chegar. E estamos preparados para qualquer que seja a decisão que o governador tomar”, assegura Zanchin. O deputado assinala que o MDB já tem o apoio do PSD, segue em conversações com parte do PP e do Republicanos e acredita na possibilidade de que o PDT permaneça na base e apoie a candidatura governista.

Em todas as siglas envolvidas, a partir da decisão do PP passou a circular a informação de que, caso o partido de fato apoie Zucco e saia da base, na prática o racha não se resolverá. E lideranças que preferem a aliança com o MDB poderão seguir próximas da coalizão governista, inclusive no que diz respeito a campanha eleitoral. Também é ventilada a possibilidade de que integrantes do PP descontentes migrem para outra legenda. Por ser o partido de Leite, o PSD é o destino mais lembrado. Mas, estrategicamente, conforme articuladores do governo, o Republicanos pode ser a opção prioritária, garantindo assim o apoio oficial da sigla, mesmo que com algumas baixas.

Fonte: CP

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