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Dia da saúde universal: o financiamento do SUS não pode esperar

Por LUCIANA ALMEIDA, presidenta da ASERGHC

No dia 12 de dezembro celebra-se o Dia Internacional da Saúde Universal. O Brasil tem no SUS um dos maiores sistemas públicos do mundo, motivo legítimo de orgulho. Mas a data também convida a olhar para a realidade: há pressão crescente sobre a rede e um financiamento que não acompanha as necessidades da população.

A demanda por atendimento aumenta, impulsionada pelo envelhecimento e pelas desigualdades. Ao mesmo tempo, o orçamento federal está limitado por regras que permitem crescimento das despesas abaixo do necessário. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), a demanda de financiamento deve crescer, em média, 3,9% ao ano nas próximas décadas, o que representa cerca de R$ 10 bilhões adicionais por ano. O novo arcabouço fiscal, porém, limita esse crescimento a no máximo 2,5% anuais – ritmo insuficiente para sustentar o SUS.

No Rio Grande do Sul, a defasagem aparece no cotidiano do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), referência para milhares de usuários na Região Metropolitana. A sobrecarga das equipes, a dificuldade de reposição de profissionais e uma estrutura no limite mostram que dedicação não substitui investimento.

Também é urgente discutir o modelo de gestão. O GHC não pode conviver com decisões improvisadas, terceirizações pouco transparentes e vínculos precários que fragilizam equipes e comprometem a continuidade do cuidado. Para que a rede cumpra sua missão pública, é essencial uma gestão profissional, estável e guiada pelo interesse coletivo.

Mais que discutir equilíbrio fiscal, o que está em jogo é o sentido da saúde universal. Limitar artificialmente o orçamento significa limitar acesso. E o povo gaúcho sabe o quanto depende de um SUS forte, especialmente diante dos desafios de reconstrução após tantas crises.

No Dia da Saúde Universal, há motivos para celebrar e também para cobrar. Sem financiamento adequado e gestão transparente, não há como garantir o direito de todos à saúde.

Fonte: CP

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