Em meio a um cenário de dificuldades em relação às cotações do arroz, os produtores têm realizado suas colheitas com o diesel a preços quase 70% superiores ao início da operação, duas a três semanas atrás. O litro que recentemente era comprado a R$ 5,40 já chega a R$ 8,60, e até a R$ 9,00 em algumas regiões. O valor majorado de R$ 5,40 para R$ 9,00 (acréscimo de 66%) se deu em Uruguaiana, município do produtor Roberto Fagundes Ghigino, vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz).
Conforme ele, na safra passada o combustível representou, em média, de 8% a 10% do custo de produção. “Este ano, com esses preços, vai ser mais”, avalia. “Para se ter uma ideia, quando começou a safra, o diesel no TRR (Transportador-Revendedor-Retalhista, que entrega o produto aos produtores) na minha região estava em torno de R$ 5,40. E chegou a ser vendido a mais de R$ 9. Praticamente 70% de aumento. Mas tem de tudo, preço de R$ 8,70, R$ 8,60”, descreve. “Cada um botou seu preço. Antes tinha um parâmetro de poucos centavos de diferença entre um TRR e outro e agora chega a ser de R$ 1.”
A Federarroz acionou organismos de fiscalização como Procon, Ministério Público e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para cobrar explicações. Para o dirigente, a disparada do diesel tem sido o maior problema para a colheita. Temendo a falta do insumo, muitos produtores priorizaram a operação de colheita e deixaram de preparo solo para a próxima safra, ação que muitas vezes se desenvolve na mesma época. “O produtor está dando jeito, indo buscar. Ele está se virando”, conta.
Conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, publicado semana passada, a colheita estava em aproximadamente 10% das lavouras gaúchas. A área estimada pelo Instituto Riograndense do Arroz (Irga) é de 891.908 hectares, com produtividade projetada em 8.744 kg/ha.
Fonte: CP
