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Eleições 2022: Articulações dividem MDB gaúcho

As articulações partidárias para as eleições de 2022 estão gerando tensionamento nos bastidores do MDB gaúcho. Grupo dos chamados emedebistas ‘históricos’ e lideranças próximas ao ex-governador José Ivo Sartori estão insatisfeitas com a forma como o comando partidário decidiu encaminhar as discussões e escolher o pré-candidato ao governo do Estado no próximo ano. No final de agosto, no voto, a executiva aprovou a realização de sete encontros macrorregionais para tratar da elaboração do plano de governo, e que vão culminar com um congresso estadual em 4 de dezembro, para a escolha do pré-candidato ao Piratini. Mas o calendário tem gerado dissabores.

Entre os descontentes, o entendimento é de que a escolha do nome deveria ficar para abril do próximo ano, depois da eleição da nova executiva estadual. Mais do que isso, o grupo, que tem entre seus integrantes o ex-prefeito de Gravataí e 3º vice da executiva estadual, Marco Alba, e o secretário de Planejamento de Porto Alegre, Cezar Schirmer, considera que a definição ainda em 2021 visa “tirar” Sartori da composição da chapa, seja para a disputa ao governo ou ao Senado, e priorizar uma aliança com o PSDB. O presidente do MDB gaúcho, o deputado federal Alceu Moreira, que colocou seu nome à disposição para concorrer ao governo, diz que respeita a opinião dos companheiros, mas argumenta que o calendário é “pragmático” e “90% do partido” quer definir o pré-candidato em dezembro.

“O Sartori quer ser candidato a governador? Há consenso no partido de que seria. Então, pode ser indicado. Agora, se for outro, precisamos ter a candidatura em dezembro, para que essa pessoa tenha tempo de percorrer o Estado e encaminhar as coligações. Vamos encaminhar coligações depois de abril?”, questiona Moreira. O deputado cita o próprio exemplo para justificar a definição do nome ainda em 2021. Segundo ele, se a escolha ficar para o ano que vem, encaminhará sua reeleição para deputado federal. “Se não for em dezembro, não tenho mais como. A pessoa que vai ocupar meu espaço para a Câmara Federal também precisa se organizar.” O atual presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gabriel Souza, é apontado como o ‘herdeiro natural’ dos eleitores de Moreira para a Câmara, já que ambos têm base no Litoral Norte.

Alba, contudo, rebate que não há lógica em o atual comando definir os encaminhamentos sobre 2022, uma vez que o partido fará convenção em abril para escolher a executiva que estará à frente do partido no ano da eleição. “Nunca decidimos o candidato um ano antes. A verdade é que há um pessoal no MDB que está transformando o partido no ‘puxadinho do Leite’, trabalhando para o PSDB e para o governador. Nem o PSDB está trabalhando tanto assim para o Leite. Estão, inclusive, construindo uma narrativa de que o Sartori não quer ser candidato a nada”, afirma.

Tanto o ex-prefeito como o deputado defendem que a sigla pode realizar uma prévia para decidir quem será o nome ao Piratini caso os embates se tornem mais acirrados. Mas, de novo, divergem sobre o tempo. Alba aponta que ela deve ocorrer logo após a convenção de abril. “Passou a convenção, a gente faz uma prévia e ouve as bases de verdade.” Moreira segue com a definição para dezembro. “Se encontrarmos um candidato por consenso, é melhor. Se tiver mais de um (candidato), vai ter prévia, é saudável. Podemos fazer em dezembro, não tem nenhum problema nisto”, avalia.

Nos bastidores

As declarações públicas de emedebistas vêm sendo acompanhadas de uma série de movimentações de bastidores. Que, na semana passada, culminaram com a filiação do ex-vice-governador, José Paulo Cairoli, ao MDB. No ato, com a presença de Sartori e do ex-senador Pedro Simon, Cairoli disse que estava entrando no MDB “Na defesa do legado do governador Sartori. Isso tem que ser uma grande marca do MDB.” A afirmação foi vista como um recado direto à ala expressiva de deputados e lideranças partidárias que integram a base do atual governo estadual e defendem prioridade para o encaminhamento de uma aliança com o PSDB em 2022. “Se o Cairoli precisa dizer que está entrando no MDB para defender o legado do Sartori é porque o partido hoje está fazendo isto?”, questiona Alba.

A aproximação de parte da sigla com o PSDB tem gerado discussões há meses porque impacta diretamente na composição da chapa majoritária para 2022. O desejo do grupo próximo ao PSDB é de que o MDB indique o candidato ao governo, obtenha o apoio do governador Eduardo Leite (PSDB) a ele e negocie tanto a vaga de vice como a do Senado. Para a do Senado, são considerados, nessa projeção, pelo menos dois nomes (há margem para adequação da lista) no sentido de atender aos tucanos. O do próprio governador, caso ele perca as prévias de seu partido para a disputa à presidência da República e deseje disputar o Senado. E o da secretária Ana Amélia Lemos, caso ela de fato deixe o PP. Nas duas hipóteses, Sartori ficaria de fora da eleição ao Senado. Sua opção estaria restrita a indicação para o governo. “O Sartori seria um grande candidato a senador. Agora, se o MDB do Rio Grande do Sul diz que terá candidato a governador, e nós teremos, não dá para começar a desenhar uma coligação dizendo que vamos ficar com as duas vagas na majoritária. Precisamos ser democráticos, não dá para ter essa arrogância”, declara Moreira.

O grupo do qual Alba tem funcionado como uma espécie de porta-voz, por sua vez, defende a participação de Sartori na chapa na posição em que o ex-governador escolher. Essa ala do partido avalia que, na prática, não se sustenta o discurso de que o governo Leite dá continuidade ao ‘legado’ da gestão Sartori. Pesariam ainda as dificuldades de um entendimento entre o ex-governador e o atual. “Toda a vez que tem uma oportunidade, o governador ‘detona’ o governo Sartori e tudo o que construímos. E tem ‘liderança’ do MDB que acha que está tudo bem”, salienta outro interlocutor do grupo. Ele cita como exemplo o discurso de Leite na semana passada, quando anunciou o pagamento em dia do 13º salário dos servidores. Na ocasião, o tucano adotou tom crítico a gestão anterior. “O RS que assumimos não tinha quitado a folha dos seus servidores, tinha o 13º parcelado, tinha dívidas de três meses de pagamentos aos hospitais, seis meses de pagamentos aos municípios, atrasados, sem pagamento. Tinha dívidas com fornecedores de medicamentos. O RS que pegamos tinha ICMS aumentado, e mesmo assim não conseguia pagar as contas em dia”, elencou Leite.

Fonte: Correio do Povo

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