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Entre a desconfiança e o favoritismo, Brasil encara o Haiti para afastar as dúvidas

Como cantou Caetano Veloso, “o Haiti é aqui”. Talvez não seja exatamente aqui, mas a frase serve ao menos para aproximar duas nações que compartilham uma paixão: o futebol. Nesta sexta-feira, às 21h30min, Brasil Haiti se encontram no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, pela segunda rodada do grupo C da Copa do Mundo. E, embora o confronto pareça daqueles que dispensam maiores preocupações para os brasileiros, a primeira semana do Mundial já ensinou que excesso de confiança pode ser perigoso.

Na estreia, a Seleção Brasileira escapou de um tropeço maior diante de Marrocos. Saiu atrás no placar, teve dificuldades para produzir e arrancou um empate graças a um imerecido gol de Vinícius Júnior. O desempenho provocou críticas ao técnico Carlo Ancelotti, questionado tanto pelas escolhas iniciais quanto pelas alterações feitas durante a partida.

O próprio treinador italiano admitiu que a equipe ficou longe do esperado. “Eu não estou satisfeito. Devemos trabalhar para melhorar, mas é normal”, resumiu após o apito final.

Agora, a tendência é que o comandante promova ajustes. Contra os marroquinos, Ancelotti surpreendeu ao escalar Ibañez e Douglas Santos nas laterais e apostar em Igor Thiago como referência ofensiva. Os treinamentos realizados durante a semana apontam para o retorno do esquema 4-2-4, com Matheus Cunha ganhando espaço no ataque. Outra possível mudança envolve Casemiro. Titular em 12 dos 13 jogos sob o comando do italiano, o volante pode ceder lugar a Fabinho.

Quem continua ausente é Neymar. Convocado inicialmente sob a expectativa de estar apto para a estreia, o atacante do Santos segue em recuperação de lesão e nem sequer viajou para a Filadélfia. Nos bastidores, cresce a percepção de que sua participação na fase de grupos corre sérios riscos.

Do outro lado estará uma seleção que já realizou um feito antes mesmo de entrar em campo: voltar à Copa após 52 anos. A última participação haitiana havia sido em 1974, na Alemanha. Comandado pelo francês Sébastien Migné, que assumiu a equipe em março de 2024 e ainda não visitou o Haiti, o time mostrou organização na derrota por 1 a 0 para a Escócia. A estratégia foi clara: linhas compactas, contra-ataques e bolas levantadas na área buscando o centroavante Pierrot, dono de respeitáveis 1,94 metro de altura.

Em uma análise rápida — e até em outra mais cuidadosa — o Haiti não parece exatamente o tipo de adversário capaz de provocar insônia na torcida brasileira. O problema é que a Copa tem se especializado em desmentir previsões aparentemente óbvias. Nesta edição, os favoritos já colecionaram sustos, tropeços e alguns constrangimentos. Por isso, mais do que vencer, o Brasil precisa convencer. Porque, se o empate diante de Marrocos deixou dúvidas, um novo resultado decepcionante transformará a cobrança em algo bem menos poético do que a canção de Caetano.

COPA DO MUNDO – 2ª RODADA

Brasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro e Bruno Guimarães; Luiz Henrique, Raphinha, Igor Thiago (Matheus Cunha) e Vinicius Jr.. Téncico: Carlo Ancelotti.

Haiti: Johnny Placide; Carlens Arcus, Ricardo Ade, Hannes Delcroix e Martin Experience; Ruben Providence, Bellegarde, Jean Jacques e Don Deedsonr; Frantzdy Pierrot e Wilson Isidor. Técnico: Sebastião Migné.

Árbitro: Alejandro José Hernández (ESP). Local: Estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia. Início: 21h30min.

Fonte: CP

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