O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira, durante a Cúpula de Presidentes do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai, que o acordo anunciado hoje entre Mercosul e União Europeia (UE) cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.
O tratado permitirá que países sul-americanos exportem carne, açúcar, arroz ou mel para a Europa. A UE poderá exportar veículos, máquinas ou produtos farmacêuticos.
“Estamos criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo mais de 700 milhões de pessoas. Nossas economias, juntas, representam PIB de 22 trilhões de dólares. O acordo que finalizamos hoje é bem diferente daquele anunciado em 2019”, afirmou.
“O acordo que finalizamos hoje é bem diferente daquele anunciado em 2019. As condições que herdamos eram inaceitáveis. Foi preciso incorporar ao acordo temas de relevância para o Mercosul. Conseguimos preservar nossos interesses em compras governamentais, o que nos permitirá implementar políticas públicas em áreas como saúde, agricultura familiar, ciência e tecnologia. Alongamos o calendário de abertura do nosso mercado automotivo, resguardando a capacidade de fomento do setor industrial”, disse o presidente do Brasil.
E declarou: “Estamos assegurando novos mercados para nossas exportações e fortalecendo os fluxos de investimentos. Após dois anos de intensas tratativas, temos hoje um texto moderno e equilibrado que reconhece as credenciais ambientais do Mercosul e reforça nosso compromisso com os acordos de Paris. A realidade geopolítica e econômica global nos mostra que a integração fortalece nossas sociedades, moderniza nossas estruturas produtivas e promove nossa inserção mais competitiva no mundo.”
Lula também disse que o “Mercosul é um exemplo de que é possível conciliar desenvolvimento econômico com responsabilidade ambiental”. “O Brasil vai propor o lançamento de um programa de cooperação para a agricultura de baixo carbono e promoção de exportações agrícolas sustentáveis, o Mercosul Verde”, pontuou.
25 anos de negociação
Havia expectativa para o anúncio nesta semana, elevada pela presença de Von der Leyen em Montevidéu. As tratativas para o fechamento do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia se estenderam ao longo de 25 anos, tendo início ainda em 1999.
As discussões para o tratado tiveram grande avanço em 2019, quando houve um “acordo político”, que acabou emperrado pela resistência de diversos países europeus, notadamente a França, que enfatizou as críticas a questões ambientais.
Preocupações
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, declarou que ouviu “as preocupações” do setor agrícola europeu e incluiu “salvaguardas” no texto de um acordo comercial com o Mercosul.
“Este acordo é vantajoso para os dois” blocos e “trará benefícios significativos aos consumidores e às empresas” se for aprovado, afirmou.
“Ouvimos as preocupações de nossos agricultores e agimos em conformidade. Este acordo inclui salvaguardas sólidas para proteger os nossos meios de subsistência”, explicou a dirigente.
*Com informações de AFP e Estadão Conteúdo
