Você já deve ter percebido que, ao ir ao supermercado ou ao pagar as contas, os preços parecem ter subido mais uma vez. Em setembro, a inflação avançou 0,44% em comparação com o mês anterior, muito por causa da alta da energia, que está em bandeira vermelha patamar 2, como foi falado na coluna da semana passada. Todas as semanas são veiculadas notícias sobre inflação e, de forma geral, as pessoas entendem a dinâmica, até porque sentem no bolso. Porém, a maneira como é calculada e as ferramentas de controle não são conhecimentos tão bem compreendidos pela população.
Variação dos preços
A variação do valor de produtos é medida por indicadores e, no Brasil, há vários deles, mas o considerado a inflação oficial do país é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os pesquisadores do IBGE verificam periodicamente o custo da cesta de produtos escolhidos por refletirem os padrões de consumo das famílias brasileiras com renda de um a 40 salários mínimos. São itens de alimentação, habitação, vestuário, transporte, saúde, despesas pessoais, educação e comunicação. A variação de cada um é levada em conta, assim como o peso no orçamento dos grupos familiares. O resultado mostra se os preços aumentaram ou diminuíram de um mês para o outro.
Fatores que influenciam
O custo da produção é um dos fatores que faz aumentar a inflação. Se está mais caro para pagar ingredientes, energia ou salários, as empresas também elevam os preços de venda para manter as margens de lucro. No caso de haver muito dinheiro em circulação no mercado nacional, mas sem disponibilidade de produtos na mesma proporção, os preços também tendem a subir. O mesmo ocorre quando as pessoas querem comprar algo específico, mas não há quantidade suficiente para todos. No sentido contrário, se há excedente de algo, a tendência é que os vendedores liquidem para diminuir o estoque.
Ferramentas para ficar na meta
O Brasil trabalha com uma meta de inflação de 3% de aumento para 2024. Esse índice estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) tem intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Para alcançar esse patamar, o Banco Central utiliza estratégias de política monetária. A principal ferramenta de controle é a taxa básica de juros, a Selic. Quando a inflação está acima da meta, é possível aumentar a Selic para reduzir o consumo e o investimento, diminuindo a demanda e pressionando os preços para baixo. Com os juros mais elevados, as empresas têm que pagar mais caro para fazer empréstimos. Isso significa que elas pensam duas vezes antes de investir em novos equipamentos, expandir a produção e contratar novos funcionários. Com menos assalariados no mercado, diminui o número de pessoas gastando. Esse ciclo faz com que a economia fique mais lenta e os preços comecem a cair, ajudando a controlar a inflação. Por outro lado, se a inflação estiver abaixo da meta, a instituição financeira pode reduzir a Selic. Pegar um empréstimo fica mais barato quando os juros estão baixos. Isso incentiva as empresas a investirem. Com mais empregos, os trabalhadores têm mais dinheiro para gastar, o que acarreta em maior demanda por produtos e serviços e, por consequência, os preços sobem.
Na prática
Na rotina prática, o valor da moeda é aquilo que ela pode adquirir. A economista e professora de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV) Carla Beni destaca que a nota de dinheiro nada mais é do que um título ao portador emitido pelo Estado.
“Quando você olha uma nota de R$ 100, é um pedaço de papel pintado. Isso tem um valor nominal. Você só sabe o valor real, quando desconta o processo inflacionário. O que sobra é o valor daquilo que você consegue comprar”, explica Carla Beni.
Se antes era possível ir ao supermercado com determinada quantia e fazer um rancho, que incluía arroz, feijão, óleo, açúcar, e outros itens essenciais, com a elevação da inflação, esses mesmos produtos custarão mais e, para encher o carrinho da mesma forma será preciso gastar mais. Isso significa que o dinheiro se desvalorizou.
Como a inflação corrói o dinheiro ao longo do tempo, reduzindo o poder de compra, é comum ajustar contratos com base em indicadores que medem a variação de preços para proteger o valor real dos pagamentos e recebimentos com o passar dos anos, inclusive dos salários.
Fonte: CP
