O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou nesta segunda-feira que as investigações sobre supostas fraudes do Banco Master chegaram a uma autoridade com direito ao foro especial no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, as apurações foram paralisadas e encaminhadas à Corte. O ministro Dias Toffoli determinou, então, que o caso tramite no tribunal.
Rodrigues confirmou que a Corporação tem adotado cautela nas investigações, com a intenção de evitar nulidades. “Neste caso, houve um achado que pode indicar a prerrogativa de foro. A partir de agora, todas as ações referentes a este caso precisam ser submetidas a esse foro, que é o STF”, declarou.
Rodrigues ressaltou que o tempo de interrupção para a definição do foro não representou atraso para a apuração: “Não houve prejuízo às investigações, foi um lapso curtíssimo, as investigações foram retomadas”, disse.
O diretor da PF não fez referência sobre quem seria a autoridade que levou os investigadores a remeterem os autos do inquérito para o Supremo.
Como revelou o Estadão, a investigação da PF apreendeu em um dos endereços ligados ao dono do banco, Daniel Vorcaro, um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) contendo documentos sobre um negócio imobiliário.
Bacelar diz que atuou na constituição de um fundo para construir um empreendimento imobiliário em Trancoso, em Porto Seguro (BA), e por isso foi procurado por Vorcaro.
Apreensão
Rodrigues anunciou que a Polícia Federal descapitalizou o crime no Brasil em R$ 9,6 bilhões entre janeiro e novembro deste ano. Em 2024, esse valor foi de R$ 6,1 bilhões.
Rodrigues ressaltou que os valores do prejuízo ao crime correspondem a apreensões efetivas em várias modalidades – como dinheiro em conta, dinheiro em espécie, imóveis, embarcações, aeronaves, ouro e criptomoeda.
O diretor também informou que em 2025 foram instaurados 40.922 inquéritos, 4.148 a menos do que no ano passado. Foram indiciadas 39.414 pessoas, 3.938 a mais do que em 2024. Rodrigues também ressaltou que a média de conclusão dos inquéritos foi de 444 dias neste ano contra 465 no ano passado. “Estamos tendo maior efetividade nas investigações e maior rapidez na conclusão dos inquéritos”, concluiu.
As informações foram dadas por Rodrigues em um encontro com jornalistas. Na mesma ocasião, ele afirmou que a PF homologou 3 310 operações neste ano, 177 a mais em relação ao ano passado. No mesmo período, foram cumpridos 2.413 mandados de prisão. Em 2024, foram 2.184.
O diretor da PF anunciou ainda os resultados do trabalho da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) neste ano Foram 215 operações, 978 prisões cumpridas e 1.551 buscas e apreensões cumpridas. O valor descapitalizado do crime foi de R$ 163,31 milhões.
Em outra frente, o balanço revela que foram presos pelos grupos de capturas da PF 3.001 pessoas foragidas. O número registrado no ano passado foi de 3.133.
O setor ambiental da PF registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento na Amazônia da década: 5,8 mil quilômetros quadrados. No ano passado, foram 6,5 mil quilômetros quadrados.
fonte: CP
