O MDB gaúcho irá oficializar, nesta segunda-feira, a proposta de coligação com o PP. Na última quinta-feira, o vice-governador e pré-candidato ao governo do Estado, Gabriel Souza, se reuniu com o presidente estadual do PP e também pré-candidato ao Piratini, Covatti Filho, para discutir a possibilidade de aliança nas eleições de 2026.
A negociação prevê que as pré-candidaturas sejam mantidas até o momento em que se avalie qual o nome torna-se mais viável. A movimentação é para atrair o PP e assim não o ter como adversário no pleito, caso se confirme a união com o PL, que tem o deputado federal Luciano Zucco como pré-candidato ao Piratini.
Na prática, porém, o MDB está pouco inclinado a desistir da cabeça de chapa. A sigla ainda tem lacunas abertas da última eleição, em que Gabriel desistiu de concorrer ao governo do Estado para integrar a chapa de Eduardo Leite (PSD), que saiu vitoriosa das urnas, mas provocou um racha entre os emedebistas.
Ainda assim, o MDB tenta atrair o Progressistas com os recursos possíveis, que são: além da vaga de vice, ao menos uma vaga ao Senado. Isso porque, até o momento, Leite ainda não definiu quais serão os próximos passos do seu futuro político – se concluirá todo o mandato ou se sairá para ser candidato ao Planalto ou ao Senado. Portanto, na chapa de Gabriel, as vagas para Câmara Alta ainda estão para jogo.
Enquanto isso, no discurso, a defesa é de “manutenção de um legado construído junto”, visto que o PP e MDB têm sido governo há, pelo menos, 12 anos. Quanto às possíveis divergências na base (ambos os partidos têm forte caráter municipalista e são adversários em muitas do Interior), o presidente do MDB-RS e deputado estadual, Vilmar Zanchin, acredita que é um caminho fácil de ser contornado.
“Ao mesmo tempo que temos muitos municípios que são oposição, em outros tantos somos coligados. A questão é explicarmos que o que está em jogo é o futuro do Estado. Que é uma outra eleição e nosso adversário é o mesmo. No Estado temos a mesma visão, nossa parceria dá certo e já foi demonstrada”, defendeu Zanchin.
Cenário turvo
No entanto, a relação entre o PP e a base governista não está pacífica. Pouco antes de ouvir a proposta de Gabriel, Covatti vinha negociando com partidos mais à direita, como o PL, que tem o deputado federal Luciano Zucco como pré-candidato ao Piratini, uma parceria em termos semelhantes àqueles propostos pelo pré-candidato do MDB.
Segundo o deputado federal, o objetivo seria fazer uma grande coalizão de direita e ir mantendo ambas as candidaturas (a dele e a de Zucco) até março, seis meses antes do pleito. Lá, os partidos discutiriam o nome com maior capacidade de liderar o projeto. Outros partidos como União Brasil, Podemos e Republicanos – além do Novo, que já está na chapa com Zucco – seriam convidados a integrar esse acordo.
Esse plano foi influenciado, em maior ou menor medida, por movimentos Leite, que recentemente decidiu entrar de forma mais efetiva na disputa. No final do mês de novembro, o governador foi uma presença bem quista na convenção do MDB, que confirmou a pré-candidatura de Gabriel. No ato, ele desfilou junto do vice-governador e prometeu rodar o Estado ao seu lado.
O movimento foi recebido com estranheza por parte de ala do PP, visto que, em outubro, Leite realizou uma reunião com os partidos de base na tentativa de levar para o pleito de 2026 o mesmo arranjo político que compõem o governo hoje. Na ocasião, ele teria deixado em aberto quem seria o nome a capitanear esse projeto – em busca de não afastar partidos com pré-candidatos, como PP e PDT. Mas, com a sua presença na convenção do MBD, o discurso caiu por terra.
Além disso, dois dias depois do congresso, na segunda-feira, Leite chamou no Piratini líderes de quatro partidos da base: Podemos, Republicanos, PSB e União Brasil. Como as siglas não têm pré-candidatos, o objetivo era reforçar o discurso de união, para manter uma continuidade de governo. O resultado, porém, nos bastidores, acabou por afastar alas do PP, que ficou de fora dessa rodada de conversa.
Fonte: CP
