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Premiê da França renuncia menos de um mês após assumir

A crise política na França se aprofundou nesta segunda-feira (6) após o primeiro-ministro Sébastien Lecornu renunciar ao cargo, apenas horas depois de ter anunciado a composição de seu novo gabinete. O presidente Emmanuel Macron aceitou a demissão, que ocorre em meio a uma profunda instabilidade política e aumenta a chance de uma dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições.

Com apenas 27 dias no cargo, o governo Lecornu se torna o mais curto da Quinta República Francesa, instituída em 1958. Sua queda marca a quinta mudança no comando do governo francês nos últimos dois anos, sucedendo Élisabeth Borne, Gabriel Attal, Michel Barnier e François Bayrou.

Intransigência partidária e apelo da oposição

Lecornu, nomeado em 9 de setembro, atribuiu sua renúncia à intransigência dos partidos políticos do país, acusando-os de colocar seus interesses à frente dos da França.

Em um discurso no Palácio de Matignon, ele lamentou: “Eu estava pronto para ceder, mas cada partido político queria que o outro adotasse todo o seu programa.”

Lecornu havia enfatizado recentemente a “difícil missão” dos novos ministros de “apresentar um orçamento para o país antes de 31 de dezembro”, ciente de que eles precisariam chegar a um acordo com a oposição.

Após o anúncio da renúncia, líderes da oposição, como a deputada Mathilde Panot, líder do partido de ultra esquerda A França Insubmissa (LFI), pediram a renúncia de Macron, declarando: “A contagem regressiva começou.”

Instabilidade e crise da dívida na França

A instabilidade no governo Macron tem sido exacerbada por uma grande crise econômica e pela impopularidade do presidente. A França é o país da União Europeia (UE) mais endividado em termos absolutos, e as medidas impopulares de Macron, como a reforma que elevou a idade da aposentadoria de 62 para 64 anos, contribuíram para o desgaste.

Desde o segundo mandato de Macron, iniciado em 2022 (e que se encerra em 2027, sem possibilidade de reeleição), o país tem vivido turbulência legislativa. A convocação de uma eleição parlamentar antecipada resultou em um parlamento rachado em três blocos (esquerda, centro-direita e ultradireita), sem que nenhum conseguisse a maioria necessária para governar. A falta de consenso sobre as finanças públicas já levou à destituição de outros dois premiês no último ano, Michel Barnier e François Bayrou.

Fonte: CP

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