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Rio Grande do Sul tem quase 150 mil alunos com risco real de evasão escolar

O Rio Grande do Sul tem 148.220 alunos com risco real de evasão escolar na rede estadual de ensino, segundo a Secretaria da Educação (Seduc). O número representa mais de 20% do total de estudantes em escolas públicas estaduais, que hoje são cerca de 700 mil. O RS está entre os piores estados do Brasil no indicador, definido como “assustador” pela chefe da pasta.

“O número é assustador”, resumiu a secretária estadual da Educação, Raquel Teixeira.

“Já temos quase 150 mil estudantes hoje em risco real de evasão. É um em uma escola, dois em outra e, às vezes, a escola não percebe claramente o tamanho do desafio porque são escolas isoladas. Mas, no conjunto, nossas tecnologias de acompanhamento já mostram isso”.

O dado coloca o RS entre os estados com mais altos índices de evasão escolar do país. “Qualquer número relacionado a evasão, abandono, reprovação aqui no Rio Grande do Sul é bem preocupante, pois temos os mais altos índices no Brasil, tanto de reprovação, quanto de evasão e abandono”, afirmou Raquel.

Dos 148.220 alunos com algum risco de evasão escolar, cerca de 58 mil têm risco grave ou crítico de evasão, sendo 25 mil em risco alto e 32 mil em risco crítico.

“Aquele número de 148.222 são estudantes que têm menos de 75% de frequência em três disciplinas ou mais. Isso é um indicador de reprovação, que é um indicador de evasão, porque o nível de presença necessária é de 75%. O risco alto é mais do que a frequência abaixo de 75%. Tem outros indicadores para definir, como frequência, aula, histórico do aluno, condições de vida, vulnerabilidade… uma série de indicadores, que, cruzados, definem o risco alto, baixo, médio”, explicou Raquel.

Estes indicadores levaram o Palácio Piratini a lançar diversos programas voltados à educação, como a Política de Proteção à Trajetória dos Estudantes e, mais recentemente, o Programa de Reconhecimento da Educação Gaúcha, que cria bonificações a escolas que garantirem a permanência dos alunos em sala de aula e premia estudantes pelo comparecimento e desempenho em provas.

Uma das ações das políticas públicas está em melhorar o monitoramento da evasão escolar. “Foi por isso que nós criamos uma política de proteção à trajetória escolar, que tem um aplicativo com inteligência artificial, que, através dos cruzamentos de dados, nos apontam antecipadamente os estudantes que têm risco de evasão. Uma série de dados que os algoritmos traçam o perfil da pessoa com possibilidade de abandono. Então temos, desde o início do ano, um instrumento muito importante de acompanhamento das frequências dos alunos. Os orientadores educacionais acompanham diariamente essa frequência dos alunos, o que nos permite fazer intervenções rápidas”, relata a secretária.

Quando a política de proteção foi lançada, no início de maio, eram 43 mil alunos com risco grave ou crítico de evasão. Agora, são 58 mil. A alta se deve em parte à melhora no monitoramento da secretaria e, em parte, a um rito natural do ano letivo.

“Temos um acompanhamento mais próximo, que não tínhamos no ano passado. Então, esse número explodia no final do ano como um fato consolidado. E agora a gente, prevendo, pode fazer intervenções. Isso é comum. O aluno começa o ano e, principalmente nesse período, maio e junho, é quando ele abandona mais. Temos isso tudo mapeado. Ele começa animado, depois vai trabalhar, ou fica doente, ou vai para um emprego, uma série de razões. É natural que aumente ao longo do ano, é o ritmo normal”, afirma Raquel.

Segundo a secretária, a transição do ensino fundamental para o ensino médio é o período mais crítico, quando são observados os maiores índices de abandono. O risco também é maior nas periferias das grandes cidades – tanto no Rio Grande do Sul, quanto no resto do país.

A partir de um monitoramento mais detalhado, implementado em 2025, é possível perceber o aumento dos índices ao longo do ano letivo e tentar resgatar o aluno com risco de abandono. “Esses 148.222 estudantes já estão mapeados e detectados. Estamos fazendo um trabalho intenso com eles de busca ativa, de retorno, de recomposição de aprendizagem e de continuidade dos estudos exatamente para evitar a evasão”, pontua a secretária.

Também por isso a pretensão de criar premiações para estudantes. Contudo, para poder efetivamente ser paga, o programa precisa ser aprovado na Assembleia Legislativa. “A premiação para os estudantes é para estimulá-los a permanecer, a aprender até para ter uma nota boa e ganhar a premiação. E, com o reconhecimento às equipes diretivas que conseguirem manter os alunos no nível de 80% de permanência, a gente também está reconhecendo o esforço porque é uma busca ativa especial, direcionada e intencional que as escolas estão fazendo”, diz Raquel.

Fonte: CP

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