Ícone do site Tapejara Agora

Veja o que muda com o decreto que proíbe educação à distância em cinco cursos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira, 19, em Brasília, o novo decreto que estabelece diretrizes para a oferta de cursos de graduação a distância (EAD) no Brasil. A medida faz parte da Nova Política de Educação a Distância, proposta pelo Ministério da Educação (MEC), e traz mudanças significativas no funcionamento e nas exigências dessa modalidade de ensino. Leia abaixo o que muda com o novo decreto:

Cursos que Devem Ser Presenciais

De acordo com o novo decreto, os seguintes cursos superiores só poderão ser oferecidos na modalidade presencial:

A justificativa é garantir a qualidade da formação, especialmente nos cursos que exigem práticas intensivas e contato direto com pacientes ou com o sistema judiciário.

Cursos com Possibilidade de Formato Híbrido (Semipresencial)

Outros cursos da área de saúde e todos os cursos de licenciatura (formação de professores) poderão ser ofertados em formato semipresencial, desde que cumpram os requisitos do novo marco regulatório.

Principais Novidades do Decreto

Confira os principais pontos da nova regulamentação:

1. Limite de Alunos nas Aulas Online

2. Criação do Modelo Semipresencial

3. Requisitos para Polos de Apoio Presencial

4. Criação do Cargo de Mediador Pedagógico

5. Avaliação Presencial Obrigatória

Novos Formatos Permitidos para Cursos Superiores

O decreto define três formatos distintos para a oferta de cursos de graduação:

ModalidadeCaracterísticas principais
PresencialPelo menos 70% da carga horária presencial. EAD pode ser no máximo 30%.
SemipresencialCombina atividades presenciais e aulas online ao vivo, com carga horária EAD parcial.
A distânciaPredominância de carga horária EAD, mas com mínimo de 20% de atividades presenciais e/ou online ao vivo, além de provas presenciais obrigatórias.

Controle de frequência será obrigatório para todas as modalidades.

Prazos de Adaptação

Panorama Atual da Educação a Distância no Brasil

Entre 2018 e 2023, o número de cursos EAD no país cresceu 232%. O Censo da Educação Superior de 2023 mostra:

Oferta de Vagas (2023)

Ingressos por Modalidade e Rede

Rede pública:

Rede privada:

Abrangência

A União Nacional dos Estudantes (UNE) publicou nota sobre o decreto

A sanção do Marco Regulatório do Ensino à Distância (EaD) representa uma importante vitória para a educação brasileira e para o movimento estudantil. Após anos de luta, denúncias e mobilização, conseguimos conquistar um avanço concreto no enfrentamento à precarização do ensino superior.

O novo Marco inaugura um ciclo de regulamentação que busca estabelecer parâmetros mínimos e critérios claros para a oferta da EaD no país. Trata-se de um passo fundamental para enfrentar o crescimento descontrolado da modalidade, especialmente nas instituições privadas, onde se multiplicam cursos de baixa qualidade, descompromissados com a formação crítica, cidadã e com a inclusão digital dos estudantes.

O EaD pode e deve ser uma ferramenta potente, mas precisa estar a serviço desse projeto de país — e não do lucro de poucos conglomerados educacionais.

Defendemos a urgente implementação de mecanismos efetivos de fiscalização, avaliação e regulação. O INSAES (Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior) precisa sair do papel e ter estrutura para garantir que a educação superior seja um direito, não uma mercadoria.

Apesar do importante passo conquistado, é preciso ressaltar que o texto final do Marco Regulatório carrega alguns recuos quanto à carga horária de ensino à distância nos cursos presenciais, como por exemplo: apesar da diminuição dos 40% EAD no ensino presencial ainda é permitido 30% de aulas a distância nos cursos presenciais.

Manteremos a vigilância, denunciaremos os retrocessos e seguiremos mobilizando para assegurar a qualidade e a democratização do ensino superior.

UNE (União Nacional dos Estudantes)

Fonte: CP

Sair da versão mobile