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Deputados gaúchos criticam Alcolumbre de ‘retardar’ instalação da CPMI do INSS

Deputados federais gaúchos que assinaram o requerimento para a criação da CPMI do INSS criticaram o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), de intencionalmente retardar sua instalação. O grupo teme que o início dos trabalhos possa ficar para depois do recesso parlamentar e, assim, a comissão acabe perdendo força.

Alcolumbre anunciou que irá realizar a leitura do requerimento para a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as fraudes que causaram um rombo no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no dia 17 de junho. A data antecede em apenas um mês o início do recesso parlamentar de inverno, quando o Congresso Nacional não terá sessões, entre 17 de julho e 1º de agosto.

Para parlamentares interessados na criação da comissão, o presidente do Senado está ‘comprando tempo’ para amenizar a pressão que ocorre sobre o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde a explosão do escândalo, tirar peso da CPMI e gerar espaço para o Palácio do Planalto reagir ao episódio.

Na sexta-feira passada, o INSS passou a exigir biometria para novos empréstimos consignados. A partir desta segunda-feira, o instituto irá começar a reembolsar todos os aposentados e pensionistas que sofreram algum desconto indevido de mensalidade associativa na folha de pagamentos referente a abril.

“Nessa altura do campeonato, o único remédio que sobrou para o PT é o tempo. Quanto mais passar o tempo, mais fácil é trabalhar os fatores. Percebo que o governo não tem muita escolha. A única alternativa é ganhar tempo. Então, o Alcolumbre joga com interesse do governo para prolongar o processo. Mas, com CPMI ou sem, o desgaste com o governo é gigantesco. O tempo não tem sido suficiente para debelar os grandes prejuízos dessa crise”, argumentou o deputado Alceu Moreira (MDB).

“A questão é que já há o desgaste. O PT tem, no seu DNA, um conjunto enorme de escândalos. Então isso cola no PT. Eles dizem que é do (ex-presidente Jair) Bolsonaro (PL), mas ninguém dá bola. O escândalo do roubo dos aposentados está na conta do PT”, seguiu.

Deputado do PLGiovani Cherini se soma às críticas. “A gente sabe que o governo não quer a CPMI. Quer fazer a narrativa culpando o governo anterior e a CPMI vai desmanchar essa narrativa. Se acham que foi o governo anterior, por que não assinam a CPMI? Vai mexer com o regime”, declarou.

Ele também reclama da atuação dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados: “É difícil você confiar hoje no Alcolumbre, que nós apoiamos, e no Hugo Motta (Republicanos-PB), que nós apoiamos. Eles estão muito de jantarzinho no Palácio com o presidente. Gostaram dos tapetes vermelhos, dos caviares e dos vinhos de mais de R$ 1 mil a garrafa e esqueceram da função deles. Presidente da Câmara e Senado não são eleitos para gerir o país, são eleitos para cuidarem do interesse dos parlamentares.”

Outro signatário do requerimento, o deputado Heitor Schuch (PSB) arrefeceu: “Resolver as coisas no calor das emoções nunca foi uma boa coisa em lugar algum, nem no casamento, nem na família, muito menos na política”.

Para ele, a solução para a crise passará mais pela Justiça do que pelo Legislativo. “Tem muita coisa sendo divulgada nessa investigação da AGU e da Polícia Federal. A CPMI não vai botar alguém na cadeia, nem tirar. Já tem gente na cadeia há 30 dias. Acho que a CPMI é muito mais para reverberar o assunto, para fazer um certo desgaste no governo. Na minha opinião, onde as coisas efetivamente vão acontecer é na Justiça, com julgamento, condenação, etc. A CPMI vai ser uma panela de pressão, mas que efetivamente não tem poder de condenar alguém”, afirmou.

Fonte: CP