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Eduardo Leite busca inaugurar neste sábado uma nova força política no RS

Em ato para a filiação de cerca de 30 prefeitos gaúchos, Eduardo Leite e Gilberto Kassab buscam inaugurar neste sábado uma nova força política no Rio Grande do Sul. Essa é a expectativa do PSD, partido que já era o maior do país em número de prefeitos e que, a partir do ingresso do governador, busca ser relevante também no Estado.

Se confirmada a expectativa, a sigla passa a ser, de largada, a quarta maior em número de prefeituras no RS. A meta até o final do ano, segundo preveem animados dirigentes partidários, é passar de 50 prefeitos, ultrapassando o PDT e se tornando a terceira força municipalista estadual.

Dos cerca de 30 prefeitos que devem concluir sua filiação, a maioria é do PSDB, partido em que Leite atuou por 24 anos. A reportagem conseguiu adiantar alguns nomes: Adiló Didomênico (PSDB-Caxias do Sul), Rodrigo Decimo (PSDB-Santa Maria), Luiz Zaffalon (PSDB-Gravataí), Rafael Bortoletti (PSDB-Viamão), Gilberto Cezar (PSDB-Canela), Diego Francisco (PSDB-Estância Velha), Jonas Calvi (PSDB-Encantado), Julião (PSDB-São Jerônimo), Celsinho Barbosa (PSDB-Xangri-lá), Rosemar Antônio Sala (PSDB-Tenente Portela) e Bolívar Gomes (PSDB-Caraá). Alguns vice-prefeitos também vão se somar ao grupo.

“Temos neste sábado nosso grande encontro do PSD com as filiações de grandes lideranças que vão se somar a nós nessa nova jornada. Será um encontro com o futuro e o futuro está chamando”, declarou Leite, em vídeo publicado no perfil do PSD-RS nas redes sociais.

Confirmada a migração em massa, o PSD gaúcho muda de figura. Apesar de ter se tornado um grande partido no país, principalmente no municipalismo, o PSD pré-Leite não possuía tanta capilaridade no Rio Grande do Sul. Elegeu, em 2022, apenas um deputado estadual e um federal, ambos ligados ao Grêmio: Gaúcho da Geral, um célebre torcedor, e Danrlei de Deus, ex-goleiro e multicampeão com o clube.

A expectativa é grande aos que já faziam parte da agremiação. “Estamos muito bem. Há quem tenha dificuldades para formar lideranças e nós temos, no Kassab, uma grande liderança nesse quadro de polarização. Ele se sobressai pela moderação. A sociedade está cansada desse clima de guerra política, de embate, que não é positivo. Teremos no Eduardo Leite uma liderança de prestígio nacional e o ingresso de muitos prefeitos que eram do PSDB e agregam agora para fortalecer o partido”, celebrou a ex-senadora Ana Amélia Lemos.

“Novo” partido impacta 2026

Conforme se consolida uma nova legenda de peso no Estado, passam a surgir algumas questões. O PSD apoiará a pré-candidatura do vice-governador Gabriel Souza (MDB) ao governo do Estado? Essa ponderação ainda não foi tratada de forma oficial no novo partido de Leite, que, por sinal, já atua como presidente estadual.

O acordo de apoio a Gabriel na sucessão da gestão do Palácio Piratini foi feito com o PSDB ou com Leite? Paula Mascarenhas, presidente estadual tucana, já se lançou como pré-candidata, enquanto o pedetista Marcelo Maranata, prefeito de Guaíba, já expressa vontade de migrar ao PSDB para concorrer.

Camaleão partidário

O PSD é uma camaleão partidário. Nacionalmente, faz parte do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e conta com três ministérios: Agricultura, Pesca e Minas e Energia. É base de Leite no RS, mas também é base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. Gilberto Kassab é inclusive secretário e considerado braço-direito do presidenciável que governa o maior Estado do país. Em Porto Alegre, faz parte do governo Sebastião Melo (MDB), que tem como vice-líder na Câmara Municipal a vereadora Cláudia Araújo.

Em recentes declarações, Kassab afirmou que aguardará a decisão de Tarcísio sobre 2026 – visto que pode concorrer para presidente ou ir à reeleição em SP – para definir o destino do PSD para as eleições gerais. Enquanto isso, Leite e o governador do Paraná, Ratinho Júnior, seguem se colocando como pré-candidatos ao Palácio do Planalto. O paranaense será ausência neste sábado. O gaúcho, após se filiar, disse se colocar como alternativa à polarização e que esperava que o partido não compusesse chapa com nenhum dos polos, à esquerda ou à direita.

O PSD será “o novo PSDB, o equilibrista na corda bamba na nova democracia brasileira”, definiu a professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFRGS, Silvana Krause.

“O PSD nasce em 2011 num contexto de crise do DEM, a partir de lideranças que não viam espaço num novo cenário da política pró-governo Lula. Isso de se aproximar do Estado, estar em diferentes governos, não é novidade. É a alma do PSD. O Kassab é um grande articulador, conhece administração pública, a lógica da política brasileira. Tem a percepção que é importante estar na máquina para estruturar o partido”, avalia a pesquisadora.

PSDB enfraquece

À medida que o PSD vai crescendo, míngua o PSDB. Os tucanos perderam todos os três governadores que elegeram em 2022. Além de Leite, houve antes Raquel Lyra, de Pernambuco, que levou consigo a vice-governadora Priscila Krause e todos os 32 prefeitos da sigla no Estado. A mais recente perda foi Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul, que se filiou ao PP.

O PSDB não conseguiu sequer eleger vereadores em São Paulo (SP) e Belo Horizonte (BH), dois de seus principais redutos históricos, em 2024. O Rio Grande do Sul parecia ser um espaço de respiro no país para o ninho tucano. Agora, deve perder a grande maioria das 35 prefeituras conquistadas no Estado na última eleição.

“Esse PSD é muito mais uma alternativa organizacional de elites políticas instituídas, com uma direção muito perspicaz, maleável para se garantir e pegar momentos de crise – aqui, pegando a crise do PSDB, este partido extremamente importante que desapareceu. É a janela de oportunidade. Assim como em 2011, durante uma crise do papel de oposição. À época, também buscou prefeitos e deputados eleitos. É um partido que pega forças políticas instituídas. Então não é uma nova força. Vem de lideranças atuantes”, afirma Silvana Krause.

Fonte: CP