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Eleições 2022Geral

Chance de apoio a Juliana divide siglas de esquerda no RS

A exclusão de participação em reuniões seletas representa um pouco só do que está de fato incomodando o PSol e uma parcela importante do PT gaúcho. O que vem gerando mesmo tensionamento nas negociações são os movimentos rápidos de uma ala pequena dentro do diretório petista no Estado, mas que começou a fazer barulho.

Este grupo tem entre seus principais articuladores o ex-deputado Henrique Fontana, hoje secretário-geral do diretório nacional do partido, e admite a possibilidade de o PT abrir mão da cabeça de chapa para a ex-deputada Juliana Brizola (PDT) na disputa pelo Piratini em 2026.

O entendimento dos apoiadores do pré-candidato do PT ao governo, o presidente da Conab, Edegar Pretto, e de articuladores da maioria das correntes do diretório gaúcho, contudo, é outro. É o de que os movimentos que admitem uma chapa com Juliana na cabeça estão enfraquecendo o nome de Edegar. O presidente da Conab é, há meses, alvo de fogo amigo, sob diferentes formas. Entre elas, as informações de que o deputado federal Paulo Pimenta ainda não descartou disputar o governo, e os comentários de que Edegar “entregou pouco” à frente da Conab, ou que o cargo não lhe garante a visibilidade necessária para concorrer ao Piratini.

Fontana nega que os movimentos fragilizem Edegar, e admite que a cabeça de chapa está em aberto. “Temos que trabalhar com muita paciência e inteligência política para garantir uma aliança que tenha pelo menos as federações PT/PCdoB/PV e PSol/Rede, o PDT e o PSB no RS. Temos dois nomes que se propõem a liderar esta frente, o Edegar e a Juliana, porque a Manuela e o Pimenta já deixam claro que são pré-candidatos ao Senado. E o Paim nem se fala, se permanecer vai ser candidato a senador. Então nos falta só o último passo, definir quem vai estar na cabeça da chapa, se a Juliana ou o Edegar. O que temos que perseguir é que estejam juntos”, afirma.

“A Juliana, de candidata ao governo, não vamos concordar. Aceitamos debater, não desprezo nenhuma articulação com o PDT, mas acho que a Juliana seria uma ótima vice. Por isso lancei a ideia Tarso para governador e Juliana de vice. Se não for o Tarso, não tenho na minha pauta quem é o melhor candidato do PT. Aliás, parece que isso não está nem na pauta do PT, porque estão aparecendo aí estas articulações de petistas cacifando a Juliana”, enumera o presidente do PSol de Porto Alegre, o vereador Roberto Robaina.

Fontana considera ser possível tanto convencer o PDT a entrar em uma aliança tendo Juliana como vice de Edegar como convencer o PSol (e o PT) a entrar em uma aliança com Edegar vice de Juliana. “Acho que devemos estar com a mente aberta. Acredito que um tempo de diálogo pode convencer pessoas e partidos a flexibilizarem e mudarem de opinião em prol de um palanque com capacidade real de vitória. Se o Edegar terminar como o escolhido desta mesa para a cabeça de chapa, ele se fortalecerá. Nosso norte estratégico master é reeleger Lula presidente”, destaca.

O secretário-geral nega, contudo, que sua atuação esteja em linha com o que já foi externado por Lula em diferentes ocasiões, e que faz parte da estratégia da nova direção nacional do partido: priorizar a reeleição do presidente e a eleição para o Senado, abrindo mão, se necessário, de governos estaduais. “Aqui no RS não, porque a questão do governo depende da condição dos candidatos. Temos duas candidaturas potentes. Temos um ótimo problema para resolver: dois candidatos com potência.”

Questionado sobre a possibilidade concreta de que Juliana dispute uma cadeira à Câmara dos Deputados, como preferem dirigentes pedetistas, Fontana disse que isto não é assunto de pauta no momento. Ele minimizou também a resistência dos trabalhistas a formar uma coalizão com o PT, e a negativa dos deputados estaduais do PDT em deixar a base do governo Eduardo Leite (PSD). “Pequenos problemas sempre vão existir. É natural.”

Para conter as movimentações e tentar estancar a desidratação de Edegar, o PT estadual marcou data para anunciar os nomes daqueles que devem integrar a chapa majoritária do partido em 2026 no RS. Será em 29 de novembro. “Vamos tirar todos os tatus das tocas e acabar com esse ‘diz-que-diz-que’”, adianta um dos negociadores petistas.

Fonte: CP