Obituário: João Chagas Leite, símbolo do nativismo gaúcho, morre aos 80 anos
O Rio Grande do Sul perdeu nesta terça-feira, 11 de novembro, uma das vozes mais representativas da música regional. João Chagas Leite, cantor e compositor que se tornou referência do nativismo gaúcho, morreu aos 80 anos, em Erechim, onde estava internado em decorrência de complicações de saúde.
Nascido em Uruguaiana, em 22 de agosto de 1945, Chagas Leite dedicou mais de cinco décadas à música regional, construindo uma trajetória marcada por autenticidade e fidelidade às raízes campeiras. Foi autor de mais de 300 composições e conquistou o público ao unir poesia, tradição e sentimento em letras que falavam da vida simples, do campo e da identidade sulina.
Entre suas canções mais conhecidas estão Desassossegos, Pampa e Querência, Ave Sonora e Por Quem Cantam os Cardeais, obras que se tornaram verdadeiros hinos da cultura regional. O artista foi presença constante nos principais festivais de música nativista do Estado, conquistando dezenas de prêmios e o respeito de colegas e admiradores.
João Chagas Leite sempre defendeu que o nativismo não era apenas um gênero musical, mas um modo de compreender o mundo. Em entrevistas, costumava dizer que a música gaúcha deveria emocionar e, ao mesmo tempo, preservar a memória coletiva de um povo. Essa visão o transformou em referência para novas gerações de intérpretes e compositores.
Nos últimos anos, o artista vinha enfrentando problemas de saúde em razão de um câncer. Mesmo debilitado, continuava compondo e participando de eventos ligados à cultura regional. Sua última aparição pública ocorreu em 2024, quando recebeu uma homenagem em Erechim por sua contribuição à arte e à tradição do Estado.
A notícia de sua morte gerou grande comoção entre músicos, radialistas e fãs. Diversos artistas gaúchos usaram as redes sociais para prestar tributos e relembrar a importância de sua obra. Em nota, a prefeitura de Erechim destacou que João Chagas Leite “levou o nome do Rio Grande a todos os cantos, cantando com verdade e sentimento a vida do povo do Sul”.
O velório acontece no salão principal do Cemitério Pio XII, em Erechim, com cerimônia aberta ao público. O sepultamento está previsto para a manhã desta quarta-feira.
João Chagas Leite foi um contador de histórias em forma de milonga. Sua voz ficará guardada na memória de quem aprendeu a reconhecer, em cada acorde de violão e verso de campo, a alma profunda do Rio Grande.
Fonte: Diário da Manhã