Inter gasta R$ 21,3 milhões por mês com folha
Apesar do cenário de crise esportiva e financeira, o Inter segue operando com custos elevados no departamento de futebol. De acordo com dados divulgados pelo próprio clube, os gastos mensais com salários, direitos de imagem e encargos sociais de jogadores e comissões técnicas, incluindo os atletas com contrato profissional que atuam nas categorias de base, alcançaram uma média de R$ 21,3 milhões por mês entre janeiro e setembro deste ano.
O valor é apenas ligeiramente inferior ao registrado no mesmo período de 2024 (ver gráfico abaixo), o que evidencia a dificuldade do Inter em reduzir a folha de pagamento, mesmo após promover mudanças significativas no elenco ao longo da temporada. A direção colorada liberou nomes de alto custo, como Valencia, Wesley, Fernando e Wanderson, em uma tentativa de aliviar a estrutura de despesas do futebol. Ainda assim, o impacto da redução foi muito pequeno sobre o total gasto mensal.
A discrepância entre o alto investimento e o baixo desempenho esportivo preocupa. O Inter foi eliminado precocemente da Copa do Brasil e da Libertadores, além de estar perigosamente próximo da zona de rebaixamento no Brasileirão. Com isso, o clube ficou sem receitas importantes de premiações e bilheteria, o que agravou o quadro de desequilíbrio financeiro.
Nos primeiros nove meses do ano, o déficit acumulado chegou a R$ 42,5 milhões, número considerado alto, ainda que inferior ao do mesmo período de 2024, quando o clube havia registrado perdas de R$ 148,3 milhões. A direção trabalha com a expectativa de uma leve melhora até dezembro, impulsionada por aumento de receitas comerciais e redução de despesas nos últimos meses, mas reconhece que o endividamento total pode voltar a crescer e encostar na casa de R$ 1 bilhão.
Outro ponto que chama a atenção é o fato de o clube ter deixado de pagar algumas obrigações com atletas durante o ano. Essas pendências foram repactuadas e, segundo a direção, estão regularizadas neste momento. A situação foi confirmada publicamente na semana passada por Alan Patrick e Gabriel Mercado, em entrevista coletiva.
O orçamento aprovado no fim de 2024 previa receitas de R$ 636 milhões e um superávit de R$ 18,3 milhões para 2025. Entretanto, as metas orçamentárias dificilmente serão atingidas.
Fonte: CP