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Fim do Novo START: mundo entra em era de incerteza nuclear com término de tratado entre EUA e Rússia

Fim de uma era: o último tratado de não proliferação de armas nucleares entre Rússia e Estados Unidos expirou nesta quinta-feira (5). A dissolução do pacto libera Moscou e Washington de restrições operacionais sobre seus arsenais, que juntos somam mais de 80% das ogivas globais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o risco de uso de armas atômicas atingiu o patamar mais alto em décadas, instando as potências a estabelecerem um quadro sucessor imediato.

Impasse entre Washington e Moscou

Firmado em 2010, o Novo START limitava cada lado a 1.550 ogivas estratégicas. Embora Vladimir Putin tenha proposto uma prorrogação de um ano em 2025, o governo de Donald Trump não deu seguimento à oferta.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que o país não possui mais “nenhuma obrigação” vinculada ao texto, embora prometa agir com “prudência e responsabilidade”. Em Washington, o secretário de Estado, Marco Rubio, indicou que Trump só aceitará um novo acordo que inclua a China, devido à rápida expansão do arsenal de Pequim.

“O presidente [Trump] foi claro no passado de que, para que haja um controle de armas verdadeiro no século XXI, é impossível fazer qualquer coisa que não inclua a China, devido ao seu vasto arsenal, que cresce rapidamente”, disse Rubio.

A China rejeitou participar de negociações nesta etapa, argumentando que suas capacidades nucleares — estimadas em 550 lançadores — ainda são inferiores aos 800 de cada uma das duas superpotências.

Enquanto isso, o Papa Leão XIV e sobreviventes de Hiroshima expressaram temor por uma nova corrida armamentista. Na Europa, a França atribuiu a responsabilidade pelo fracasso a Moscou, classificando o fim do tratado como o ápice de retrocessos nas normas internacionais de segurança.

Cenário pós-tratado e pressões globais

Sem as inspeções in situ, suspensas desde 2023, a transparência sobre as capacidades nucleares das potências desaparece. A coalizão global ICAN (sigla em inglês para Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares) apelou para que russos e americanos mantenham voluntariamente os limites do Novo START durante novas tratativas.

Por sua vez, o grupo de japoneses sobreviventes das bombas atômicas lançadas em 1945 expressou o temor de que o mundo esteja caminhando para uma guerra nuclear com o fim do Novo START.

Fonte: CP