Loteria estadual deverá enfrentar resistências na Assembleia do RS
A maioria dos deputados estaduais contatados pela reportagem evitou comentar a volta da loteria estadual, que está sendo discutida pelo governo Eduardo Leite, pelo fato de ainda não haver um projeto estruturado do Estado para ser analisado. Ainda assim, mesmo os parlamentares mais ligados ao tema sabem que a possibilidade gera polêmica.
“Há visões dogmáticas na direita e ideológicas na esquerda. O deputado mais ligado à área religiosa entende que jogo é pecado e que não tem que regulamentar. A esquerda entendia que deveria ser monopólio da Caixa Econômica Federal, uma empresa pública tratar do assunto. Eu sou favorável à ideia da loteria estadual. Acho muito importante para o Estado, como complementação do que é o serviço público. Será possível destinar recursos a hospitais, ou mesmo criar linhas de bilhetes específicas. Por exemplo, se quiser construir uma ponte nova, a arrecadação de bilhetes temáticos poderia ajudar na obra”, projeta o deputado Marcus Vinícius (PP).
O parlamentar leva a questão das apostas como um dos temas do seu mandato. Ele criou a Subcomissão para tratar da Regulamentação de Apostas Esportivas Eletrônicas, que, desde 2023, realiza estudos e discussões sobre o assunto.
“É um caminho para pagar imposto. Não regulamentar no RS significa não ganhar nada. Significa mandar dinheiro para fora do país a empresas irregulares que operam no Brasil. (O jogo de azar) é um movimento sem volta. Se proibissem hoje, as pessoas continuariam jogando. É um setor que movimenta R$ 150 bilhões no Brasil e poucos estados criaram regras próprias”, afirma Vinícius.
Já o líder da oposição à esquerda na Assembleia, deputado Miguel Rossetto (PT), critica não apenas a volta da loteria como inclusive o assunto estar sequer sendo debatido. “É escandaloso. Onze mulheres foram mortas apenas em janeiro no Estado O presidente Lula corretamente toma iniciativa de um pacto nacional para todos poderes mobilizarem a sociedade e enfrentarem essa situação dramática, enquanto o Eduardo Leite pauta discussão de loterias.”
“O governo deveria estar chamando outras instituições, mobilizando a sociedade. Ninguém fala sobre loteria aqui (na Assembleia). Se fala sobre a CPI dos Pedágios, sobre o tema dos feminicídios. São para assuntos que nossa bancada está totalmente mobilizada. Para, nessa conjuntura, pautar loteria, Leite está em outro planeta, em outra realidade. E sobre as bets, a opinião é majoritariamente contrária na Assembleia”, declarou Rossetto.
Fonte: CP