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Entenda como o Irã utiliza minas marítimas no Estreito de Ormuz

Na escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, a tensão não se manifesta apenas em mísseis ou grandes navios de guerra, mas no que se esconde abaixo da linha d’água. O Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo global, tornou-se o cenário principal da estratégia de “guerra assimétrica” do Irã, fundamentada no uso de minas navais.

Diferente de um confronto direto, o uso de minas permite que uma força regional desafie marinhas tecnologicamente superiores, como a dos Estados Unidos, utilizando o medo e a incerteza para paralisar o comércio marítimo. O arsenal iraniano é diversificado, misturando tecnologias de décadas passadas com inovações eletrônicas modernas.

Especialistas em defesa identificam três categorias principais de dispositivos que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) mantém em prontidão:

Minas de contato (ancoradas): São as mais simples e baratas. Flutuam presas ao fundo por cabos e detonam ao impacto direto com o casco de um navio. Embora antigas, modelos como a EM-52 continuam eficazes devido à dificuldade de detecção em águas turvas e correntes fortes.

Minas de fundo (influência): Dispositivos altamente sofisticados que repousam no leito marinho. Elas não precisam de toque; sensores eletrônicos detectam a assinatura magnética do metal do navio, o ruído acústico dos motores ou a mudança de pressão da água quando uma grande embarcação passa por cima.

Minas de direcionamento seletivo: Relatórios de inteligência sugerem que o Irã desenvolveu minas programáveis. Elas podem ser configuradas para ignorar pequenos barcos de pesca e detonar apenas sob o casco de grandes petroleiros ou porta-aviões, maximizando o impacto estratégico e econômico.

A tática do “enxame” e os WBIEDs

Além das minas estáticas, a estratégia iraniana envolve a mobilidade. Lanchas rápidas da Guarda Revolucionária são treinadas para minar canais de navegação em poucas horas, antes que forças internacionais possam reagir.

Surgem também os WBIEDs (Water-Borne Improvised Explosive Devices), barcos não tripulados carregados de explosivos. Funcionando como “minas móveis” ou botes suicidas, esses drones navais podem ser direcionados remotamente contra alvos específicos, tornando o Estreito de Ormuz um ambiente de risco constante e imprevisível.

Gráfico contextualiza conflito

 Gráfico contextualiza conflito | Foto: Leandro Maciel

Impacto econômico e geopolítico

A eficácia dessas armas não reside apenas na destruição física. O “fator mina” é uma arma psicológica poderosa. “Basta a suspeita de uma única mina na água para que as seguradoras suspendam as coberturas de petroleiros”, afirmam analistas de risco marítimo.

Quando o fluxo de energia é ameaçado em Ormuz, o preço do barril de petróleo reage instantaneamente nos mercados de Londres e Nova York, impactando o custo de vida global. Para o Irã, as minas são a garantia de que, em qualquer conflito, o custo para o resto do mundo será proibitivo.

Fonte: CP