Luiz Henrique pretende usar pressão como motivação para o Brasil ganhar a Copa do Mundo
Transformar “a pressão” em “motivação” é fundamental para a Seleção brasileira na busca pelo hexacampeonato mundial, que escapa há 24 anos, disse em entrevista à AFP o atacante Luiz Henrique.
Quando a Seleção levantou a taça da Copa do Mundo pela última vez, na Coreia do Sul/Japão em 2002, o ponta que brilhou no Botafogo e hoje está no Zenit, da Rússia, era um bebê.
Hoje, ele é uma das principais alternativas ofensivas do técnico Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo da América do Norte, que começa em 11 de junho. Por videoconferência desde São Petersburgo, Luiz Henrique, de 25 anos, destaca o impacto do italiano, um treinador que “ajuda o jogador a evoluir”.
A seguir, trechos da entrevista, editados para melhor compreensão.
P: Como é trabalhar com Ancelotti?
Trabalhar com ele, para mim, é uma honra (…), trabalhar com um cara que já tem uma experiência tão grande, já é vencedor há muito tempo, agrega muito na minha vida profissional e na minha vida pessoal (…) É um cara que ajuda muito o jogador a evoluir (…) e quero sempre trazer coisas boas para ele do meu futebol, para que eu possa ajudar ele também.
P: Você estreou na Seleção principal com Dorival Júnior como técnico. O que mudou com Ancelotti?
A gente sabe como é o Brasil. Tem muita pressão. Então, temos que trazer resultado. Os jogadores têm que trazer resultado. Mas, os dois treinadores são excelentes. Os dois me ajudaram. O Ancelotti está me ajudando, como o Dorival me ajudou também quando ele me convocou para a Seleção brasileira e eu pude ajudar ele em algum momento como eu estou ajudando muito o Carlo Ancelotti.
Vivo minha melhor fase
P: Você falou de pressão. O Brasil espera há 24 anos pelo hexa…
A pressão é sempre boa. Para nós, que somos jogadores, sempre vai existir essa pressão (…). No futebol, ainda mais na Seleção, sempre existem pressões (…). A gente não pode trazer isso como pressão. A gente tem que trazer isso como motivação.
P: Você respondeu em campo desde sua primeira apresentação com Ancelotti, com assistência na vitória por 3 a 0 sobre o Chile nas eliminatórias para a Copa, em setembro. Como viveu aquela partida?
Foi um jogo foi muito importante para mim (…). Foi um jogo que eu estava no meu país, estava no Brasil, estava no Maracanã também, que eu já estou acostumado a jogar [com o Botafogo]. E a torcida me apoiou bastante, gritou meu nome para que eu pudesse entrar. Então, isso ali foi o melhor cenário para mim para que eu pudesse ter boas atuações dentro do jogo.
P: Você foi bem em março contra a França, apesar da derrota por 2 a 1, e confirmou a boa impressão na vitória por 3 a 1 sobre a Croácia nos últimos dois amistosos disputados pela Seleção. Como avalia esses jogos?
Sabemos também da qualidade da França. Tem excelentes jogadores. Tem jogadores que podem ser melhores do mundo também (…) Mas a gente ficou bastante frustrado por ter perdido esse jogo que era importante para dar continuidade [ao trabalho]. Mas que no segundo jogo a gente já virou a chave contra a Croácia. A gente precisava ganhar para que a gente pudesse chegar bem na Copa do Mundo.
P: O Brasil jogará em 31 de maio contra o Panamá no Maracanã, na despedida da torcida antes da Copa. O que espera dessa partida?
Vai ser uma despedida excelente. Temos que sair dali com a vitória, para que a gente possa começar a nossa Copa do Mundo com o pé direito, todo mundo com a mesma ambição, que é ganhar a Copa do Mundo. E eu tenho certeza que todos os jogadores da seleção brasileira estão com esse mesmo pensamento. O mais importante é que a gente possa se unir dentro de campo, que a gente possa guerrear em cada bola (…) para que a gente possa fazer jogos de alto nível, para que a gente possa chegar na final e ser campeão do mundo. Que é isso que a gente espera. E a nossa nação brasileira também.
P: As lesões de Rodrygo e Estêvão podem lhe dar maiores responsabilidades. Como encara isso?
Eu lamento muito a lesão do Militão, do Estêvão e do Rodrygo. São jogadores que iriam nos ajudar bastante ali na Copa do Mundo (…) Eu vou esperar o Antelotti escolher quem ele vai jogar. Claro que eu quero jogar também, quero estar entre os 11 (…) e se ele me escolher para estar dentro de campo, eu vou fazer como eu venho fazendo vestindo a camisa da Seleção brasileira: dando o meu melhor.
P: Você venceu o Brasileirão e a Copa Libertadores da América em 2024 com o Botafogo. O que aquela fase representou para você?
Abriu muitas portas. Abriu portas para mim na Seleção brasileira. O Botafogo hoje e sempre estará no meu coração (…) Hoje estou vivendo minha melhor fase no Zenit.
Gostaria de jogar com Neymar
P: Como é a relação na Seleção com líderes como Casemiro?
Tem bastantes jogadores experientes que já passaram por bastantes clubes importantes, que já ganharam muitas coisas importantes em suas carreiras. Mas eu fico mais com o [lateral] Douglas Santos, que joga comigo aqui no Zenit (…) O Casemiro é um cara que está sempre conversando com todos os jogadores novos (…) Ele sempre vem conversando com a gente para que a gente possa estar o máximo tranquilo possível.
P: Quem você admirava na infância?
O Neymar sempre foi uma inspiração de todos (…). Ele é um cara excepcional. É um cara que tem muita qualidade. É um cara que eu sempre estava vendo, sempre estou vendo na televisão. E a qualidade que ele tem é indiscutível.
P: Gostaria de disputar a Copa do Mundo com ele?
Eu gostaria. Mas eu não posso decidir isso. Mas claro que eu gostaria de jogar com o Neymar.
Fonte: CP