Agro gaúcho amplia em 32,5% as exportações em maio
O agronegócio do Rio Grande do Sul exportou, no mês passado, 32,5% a mais que no mesmo mês de 2025, ou US$ 1,33 bilhão, ante US$ 1,01 bilhão. Em volume, o salto foi ainda mais expressivo: 47,4%, de 1,38 milhão para 2,04 milhões de toneladas.
Assim, o setor respondeu por 72% do valor total exportado pelo Estado no mês, o total de US$ 1,85 bilhão, e por 92% do volume embarcado, de 2,22 milhões de toneladas.
Conforme o relatório, “o resultado não aconteceu apenas em decorrência da melhora de preços, mas de expansão efetiva de volumes, sobretudo no complexo soja, em arroz, milho, frango e celulose.”
O desempenho foi sustentado principalmente por soja em grãos, farelo de soja, carne de frango in natura, celulose, milho, óleo de soja em bruto e arroz. Já fumo não manufaturado, couros preparados, calçados de couro, móveis de madeira e bovinos vivos limitaram um avanço ainda mais forte.
“O quadro do mês indica recuperação robusta da pauta, com protagonismo do complexo soja, retomada de volumes em grãos e derivados e bom desempenho de proteínas animais”, resumiu o documento.
Principais destinos
A China seguiu como o grande comprador dos produtos gaúchos em maio, atingindo US$ 412,6 milhões (31% do total), puxado principalmente pela demanda por grãos. O relatório menciona uma “reaproximação importante” da pauta com o mercado chinês, que em meses anteriores havia operado com restrições de oferta por conta do calendário da safra. Na sequência destacaram-se Coreia do Sul (4,2%), Vietnã (4,1%), Países Baixos (3,9%) e Índia (3,5%).
Segundo a Farsul, um dado que chama atenção no relatório é o desempenho dos Estados Unidos como destino. Em maio, o país foi apenas o sétimo mercado para o agronegócio gaúcho, com US$ 36,7 milhões, queda de 61,3% em valor e 65,4% em volume frente a maio de 2025. As perdas se concentraram em fumo não manufaturado, celulose, madeira serrada, calçados de couro, carne bovina e móveis.
Para aquele mercado houve avanços pontuais em arroz, carne bovina industrializada, sebo bovino, papel e café solúvel, mas insuficientes para reverter o quadro. A Farsul recomenda acompanhamento nos próximos relatórios, especialmente em produtos expostos a maior sensibilidade tarifária ou sanitária.
A América do Norte como bloco recuou 55% em valor, de US$ 112,2 milhões para US$ 51 milhões. Na direção oposta, a Ásia (excluindo Oriente Médio) saltou 63%, para US$ 712,9 milhões, e a Europa avançou 52%, para US$ 307,9 milhões.
Produtos destacados
O complexo soja foi o principal responsável pelo desempenho, com expansão de 62,2% em valor e 48,8% em volume na comparação entre os dois meses de maio, para a US$ 585,1 milhões e 1,37 milhão de toneladas. Só a soja em grãos respondeu por US$ 383,4 milhões e 888,9 mil toneladas, alta de 78,5% e 64,7%, respectivamente.
O farelo de soja avançou 37,4% em valor e 26% em volume, com destaque para Coreia do Sul, Eslovênia, Tailândia, França, Espanha e Vietnã. O óleo de soja em bruto cresceu 41,5% em valor, com concentração de embarques para a Índia.
A carne de frango in natura cresceu 35,3% em valor e 24% em volume. O relatório da Farsul ressalta, no entanto, que neste caso o resultado é influenciado pela base fraca de maio de 2025, mês marcado por um foco de influenza aviária em granja comercial gaúcha, que gerou restrições sanitárias e suspensões de compras por mercados relevantes.
“A recuperação reflete tanto um mercado externo mais firme quanto a normalização parcial dos fluxos interrompidos no ano anterior”, justifica.
Já as exportações de carne bovina in natura subiram 27,5% em valor e 5,7% em volume. O resultado decorre de avanços em negócios com China, Rússia, Singapura, Chile e Palestina, que compensaram perdas nos Estados Unidos, Uruguai e México. “O ganho de valor muito superior ao de volume indica melhora de preço e de composição dos embarques”, avaliou a Farsul.
O relatório, porém, alerta para o fato de o mercado chinês operar sob uma salvaguarda implantada em 2026, que em breve vai imppr tarifa adicional para volumes acima da cota anual de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. “O ritmo de uso dessa cota pode limitar o desempenho do segmento nos próximos meses”.
Acumulado 2026
No acumulado de janeiro a maio, as exportações do agronegócio gaúcho somaram US$ 5,60 bilhões, alta de 9,3% frente aos US$ 5,13 bilhões do mesmo período de 2025. O volume cresceu 11,6%, chegando a 8,97 milhões de toneladas. A composição da pauta também mudou.
A China continua como principal destino, mas perdeu participação: de 19,7% para 17,7% do valor acumulado. Ganharam espaço Filipinas, Egito, Turquia, Índia e Países Baixos. Estados Unidos, Vietnã e Indonésia encolheram em participação relativa.
A conclusão do relatório é que a pauta exportadora gaúcha em 2026 “está mais forte em valor e volume, menos dependente de poucos destinos tradicionais e mais apoiada em proteínas animais, soja, milho, arroz e óleos vegetais”.
Desempenho de produtos
Bovinos vivos: as exportações recuaram 1% em valor e 17,6% em volume. A entrada de Marrocos compensou parcialmente as quedas para Turquia e Iraque, mas não foi suficiente para sustentar o volume do mesmo mês de 2025. O valor ficou praticamente estável apesar do recuo físico, o que indica melhora de preço médio ou de composição dos embarques. Ainda assim, o dado reforça a elevada concentração do segmento em poucos destinos, o que aumenta a volatilidade mensal.
Carne bovina: as exportações de carne bovina in natura cresceram 27,5% em valor e 5,7% em volume. Os avanços em China, Rússia, Singapura, Chile e Palestina compensaram as perdas em Estados Unidos, Uruguai e México. A demanda chinesa continuou relevante para a carne bovina, mas o mercado segue operando sob a salvaguarda chinesa de 2026, que impõe tarifa adicional para volumes acima da cota anual.
Carne de frango: o produto in natura cresceu 35,3% em valor e 24% em volume. Os ganhos em Países Baixos, China, Gana, Japão e Irlanda mais do que compensaram as perdas em Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Iêmen, Iraque e México. A comparação também é influenciada pela base de maio de 2025, mês em que o foco de influenza aviária em granja comercial no RS gerou restrições sanitárias e suspensões de compras por mercados relevantes. Além de um mercado externo ainda firme, maio de 2026 reflete recomposição de destinos e normalização parcial de fluxos que haviam sido afetados pelo choque sanitário do ano anterior.
Carne suína: os embarques in natura cresceram 9,9% em valor e 17,9% em volume. Os avanços para Filipinas, Vietnã, África do Sul, Malásia, República Dominicana e Uruguai compensaram parcialmente as perdas para Singapura, China e Hong Kong. O volume cresceu mais do que o valor, sugerindo preço médio menos favorável ou maior peso de mercados com menor valor unitário. Ainda assim, o desempenho confirma a sustentação da carne suína gaúcha na Ásia e a relevância crescente de destinos alternativos.
Arroz: o segmento cresceu 41,3% em valor e 81% em volume. O avanço foi puxado principalmente por Nicarágua, Costa Rica, Senegal, Cuba, Países Baixos, El Salvador e Estados Unidos. Em sentido contrário, houve queda para Gâmbia, Serra Leoa e Peru. O volume cresceu muito mais do que o valor, sinalizando expansão relevante de embarques, mas com preço médio inferior ao do mesmo mês de 2025. O canal externo voltou a funcionar como alternativa relevante de escoamento em um mercado doméstico ainda marcado por liquidez seletiva, diferenças regionais e cautela entre compradores e vendedores.
Trigo: não houve exportações relevantes de trigo em maio, assim como não havia registro relevante no mesmo mês de 2025. A ausência de embarques reflete a sazonalidade do cereal e a baixa atratividade exportadora do trigo gaúcho fora de janelas pontuais de escoamento, especialmente em um país estruturalmente importador e diante da concorrência argentina.
Complexo soja: o grupo foi o principal motor do desempenho do agro gaúcho, com crescimento de 62,2% em valor e 48,8% em volume. Na soja em grãos, o RS exportou US$ 383,4 milhões e 888,9 mil toneladas, alta de 78,5% em valor e 64,7% em volume. A China respondeu pela maior parte da alta, com ganho de US$ 165,8 milhões, além de avanços para Vietnã e Tailândia. Nos derivados, o farelo de soja cresceu 37,4% em valor e 26% em volume, puxado por Coreia do Sul, Eslovênia, Tailândia, França, Espanha e Vietnã, apesar das perdas em Irã e Itália.
O óleo de soja em bruto cresceu 41,5% em valor e 34,6% em volume, com concentração na Índia. Maio já refletiu entrada mais efetiva da nova safra no mercado, reduzindo a restrição de oferta que havia marcado o início do ano. A melhora do complexo combinou maior disponibilidade física de grãos, recomposição de embarques para a China e sustentação da demanda por derivados em mercados asiáticos e europeus.
Fumo e seus produtos: o grupo recuou 11,5% em valor e 14% em volume. A queda concentrou-se no fumo não manufaturado, que caiu 15,4% em valor e 18,1% em volume. As principais perdas vieram de Estados Unidos e Indonésia, além de recuos em Canadá, Grécia, Nigéria, Filipinas e Emirados Árabes Unidos.
Em sentido contrário, houve avanços para Tunísia, Turquia, Paraguai, Reino Unido, Itália, Romênia, Polônia e Rússia. A retração foi explicada principalmente pela perda de mercados de grande peso, especialmente Estados Unidos e Indonésia. Como o volume caiu mais do que o valor, o preço médio ou a composição do produto exportado ajudou a amortecer parcialmente o impacto econômico.
Produtos florestais: o grupo cresceu 18,4% em valor e 31,2% em volume. A celulose avançou 31,5% em valor e 24,1% em volume, com altas para Países Baixos, Coreia do Sul, Jordânia, Taiwan, Itália, Espanha, França e Vietnã. Também houve contribuição de outros itens do grupo, embora com desempenho desigual entre destinos.
Em sentido contrário, destacaram-se quedas em Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, China e Japão. O mês foi positivo para o bloco florestal, mas não de forma homogênea. A recuperação veio mais da recomposição de embarques em destinos específicos do que de uma melhora uniforme em todos os mercados relevantes.
Fonte: Correio do Povo