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Pirataria online e 135 mil figurinhas apreendidas: álbum da Copa é alvo de falsificações

A febre do álbum de figurinhas da Copa do Mundo 2026 não passou despercebida por quem vende e compartilha conteúdo pirata na internet. Redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas de venda online, como o Mercado Livre, e serviços de armazenamento em nuvem se transformaram em canais para a oferta de adesivos não oficiais, alguns deles reproduzindo de maneira fiel as artes dos colecionáveis licenciados.

Procurada pelo Estadão, a Panini, empresa responsável pela comercialização oficial das figurinhas da Copa do Mundo, não respondeu à reportagem. Já o Mercado Livre disse que atua no monitoramento e remoção de anúncios irregulares e incentiva denúncias feitas pelos usuários.

No X (antigo Twitter), usuários divulgam links para download gratuito de arquivos em PDF. Esses arquivos contêm seleções completas e jogadores prontos para impressão, com materiais em alta resolução.

Colecionadores são incentivados a montar seus próprios álbuns sem adquirir os pacotes oficiais, que custam 7 reais e vêm com sete adesivos. A compra em bancas é substituída pela distribuição organizada.

Pastas compartilhadas em plataformas de armazenamento reúnem arquivos separados por seleções e continentes, com foco em equipes como Brasil, França e Alemanha. Os arquivos são atualizados constantemente para acompanhar convocações e mudanças nos elencos da Copa.

Documentos com dezenas de páginas de figurinhas circulam em grupos privados e conversas. Em sites de marketplace, o documento digital com a cartela para impressão é vendido por um valor próximo ao do pacote oficial.

Autoridades combatem pirataria de figurinhas

Uma operação recente apreendeu 50 mil figurinhas, mil álbuns e 1.039 camisetas falsas em São Paulo. A ação, conduzida por agentes do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) no Brás e no Canindé, visava coibir a comercialização de itens falsificados relacionados à Copa do Mundo.

Segundo informou a Polícia Civil, quatro pessoas foram detidas por crime contra a propriedade intelectual nesta operação. Equipes da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) intensificaram os trabalhos durante o Mundial.

Em 28 de maio, uma outra operação havia apreendido 85 mil álbuns e figurinhas da Copa do Mundo de procedência ilegal na zona Norte e no centro da capital paulista. Cerca de 2 mil camisas falsificadas de seleções também foram confiscadas.

Cinco pessoas foram presas em flagrante com base na Lei Geral do Esporte, e vão responder por crime contra a propriedade industrial. A identidade dos suspeitos não foi revelada.

Na última semana, a Polícia Civil de Minas Gerais também apreendeu 680 pacotes de figurinhas e 112 álbuns da Copa do Mundo suspeitos de falsificação em um estabelecimento comercial em Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba. A apreensão ocorreu após denúncias de venda irregular.

Segundo os proprietários dos produtos apreendidos em Minas, o material havia sido adquirido em São Paulo. O Procon-SP orienta que consumidores verifiquem a reputação da empresa ou vendedor e confirmem canais de atendimento antes de efetuar o pagamento.

Além da pirataria de figurinhas, as autoridades alertam para golpes em ingressos da Copa do Mundo, recomendando cautela aos torcedores.

Posicionamento do Mercado Livre sobre falsificações

O Mercado Livre proíbe a comercialização de produtos falsificados, pirateados ou que infrinjam direitos de propriedade intelectual. A plataforma monitora e remove anúncios irregulares continuamente.

Parte desse esforço inclui o Brand Protection Program (BPP), que permite aos titulares de direitos denunciarem infrações. Anúncios irregulares são removidos e vendedores notificados, podendo sofrer penalidades.

O BPP é um canal prioritário no combate às infrações. A empresa também usa inteligência artificial e machine learning para identificar e remover automaticamente anúncios suspeitos.

O último Relatório de Transparência da empresa indica que 93% dos anúncios com suspeita de infração são removidos proativamente. Os anúncios mencionados nesta reportagem foram removidos por descumprimento das políticas internas. O Mercado Livre incentiva usuários a denunciarem anúncios irregulares através do botão “Denunciar” presente na plataforma.

Fonte: CP