Meteorologistas alertam para possível El Niño histórico com impactos globais no clima e na agricultura
Especialistas em meteorologia da Austrália emitiram um alerta sobre a formação de um novo episódio do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico tropical. Segundo as projeções divulgadas nesta terça-feira (16), o evento climático poderá ganhar força ao longo do segundo semestre de 2026 e figurar entre os mais intensos registrados nas últimas décadas.
Os dados apontam que as temperaturas da superfície do mar já ultrapassaram os níveis que caracterizam o fenômeno, enquanto os indicadores atmosféricos confirmam sua consolidação. De acordo com os meteorologistas, há uma possibilidade significativa de que o aquecimento das águas do Pacífico Central alcance patamares comparáveis aos maiores eventos observados desde meados do século passado.
Caso as previsões se confirmem, o El Niño poderá provocar mudanças expressivas nos padrões climáticos em diferentes regiões do planeta. Entre os efeitos esperados estão o aumento das chuvas em partes das Américas e períodos prolongados de calor e estiagem em diversos países asiáticos, cenário que já preocupa produtores rurais e autoridades ligadas à segurança alimentar.
Pesquisadores também destacam que as mudanças climáticas globais tendem a potencializar os impactos do fenômeno, ampliando seus efeitos sobre o clima, os recursos hídricos e a produção agrícola.
Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, o El Niño costuma alterar o regime de chuvas e as temperaturas em diversas partes do mundo. Na Austrália, por exemplo, o fenômeno geralmente resulta em períodos mais secos durante o inverno e a primavera, além de favorecer temperaturas mais elevadas em algumas regiões.
Os reflexos econômicos também são motivo de atenção. A Austrália é uma das maiores exportadoras mundiais de produtos agrícolas como trigo, açúcar e carne bovina, e eventos climáticos extremos podem comprometer significativamente a produtividade do setor.
O histórico recente reforça a preocupação dos especialistas. Entre 2023 e 2024, um episódio de El Niño esteve associado ao trimestre mais seco já registrado no país. Já o evento de 2015 e 2016, considerado um dos mais fortes da história recente, provocou severas perdas na produção de grãos e oleaginosas em várias regiões.
Diante das projeções atuais, governos, produtores e instituições de pesquisa acompanham com atenção a evolução do fenômeno, que poderá influenciar o clima e a economia global nos próximos meses.