Irã rebate EUA, nega inspeção nuclear da AIEA e anuncia “linha telefônica direta” sobre Ormuz
O governo do Irã negou nesta terça-feira, 23, que tenha concordado com uma visita da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a instalações nucleares atingidas por bombardeios dos Estados Unidos, contradizendo declarações do vice-presidente americano, JD Vance, após a rodada de negociações entre os dois países realizada na Suíça.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que “nenhuma visita foi agendada” para inspeção dos locais atacados. Na segunda-feira, Vance havia dito que as conversas resultaram em um acordo para que inspetores da AIEA tivessem acesso às instalações nucleares iranianas.
A agência da ONU voltou a atuar no país após a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, em 2025, mas ainda não recebeu autorização para inspecionar os principais centros de enriquecimento atingidos pelos EUA.
Em outra frente, o presidente do Parlamento iraniano e chefe da delegação negociadora, Mohammad Bagher Ghalibaf, anunciou o retorno de uma missão a Omã e informou que Teerã e Mascate decidiram criar um comitê conjunto para discutir questões relacionadas ao Estreito de Ormuz. Mais detalhes devem ser divulgados em breve.
De acordo com a agência estatal Fars, Ghalibaf também afirmou que Irã e EUA concordaram em estabelecer mecanismos de cooperação para a navegação em Ormuz, incluindo uma linha telefônica direta e um centro de contato para esclarecer incidentes e evitar mal-entendidos envolvendo embarcações que transitam pela rota. Segundo ele, navios que enfrentarem problemas poderão acionar diretamente esse canal para que as autoridades iranianas atuem na gestão da situação.
As declarações ocorrem em meio ao processo diplomático de 60 dias iniciado após as negociações na Suíça. Também nesta terça-feira, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, desembarcou no Paquistão para reuniões com autoridades que atuam como mediadoras nas tratativas entre Teerã e Washington.
As negociações em curso incluem grupos de trabalho sobre sanções questões nucleares, reconstrução e monitoramento, além de mecanismos voltados à segurança da navegação em Ormuz e ao cessar-fogo no Líbano, segundo autoridades iranianas. Também persistem divergências sobre o uso de ativos iranianos congelados no exterior e sobre o alcance dos compromissos assumidos por ambas as partes.
Fonte: CP