A 100 dias das eleições, inteligência artificial e redes sociais serão questões centrais, indicam especialistas
Faltando 100 dias para o pleito e cerca de 40 dias para o início do período oficial de campanha eleitoral, o panorama em diversas esferas ainda é nebuloso, sem perspectivas claras dos vencedores. No entanto, um agente central das últimas eleições também deve ser protagonista neste pleito: as redes sociais.
Utilizados para criar vídeos, imagens e textos artificiais, muitas vezes falsos, os sistemas de Inteligência Artificial (IA) Generativa também ocupam um espaço entre os grandes receios de autoridades e especialistas. No entanto, são vistos como um “propulsor” da polarização e não como origem do processo.
A cientista política e professora da UFRGS, Silvana Krause, compreende que, somado às redes sociais e o uso de IA, existe uma polarização afetiva que afetou e deve seguir afetando os processos eleitorais. “Esse fenômeno não ocorre só no Brasil. Tem se formado uma polarização emocional, mobilizada através de sentimentos, ainda mais considerando o contexto de insegurança e indefinição política ao redor do mundo”, comentou.
Legislação existe, mas ainda é frágil
A especialista vê que tanto a IA quanto as redes sociais proporcionam a intensificação dessa busca pelo foco da atenção do público, acrescido pela mudança de comportamento do eleitor entre um pleito e outro. “Quando as campanhas aconteciam em rádio e TV, não era uma comunicação tão rápida, nem forçava uma interpretação de acontecimentos nessa intensidade. Antes das redes, esse espaço de disputa não existia”, apontou a professora.
A resolução 23755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) define as regras sobre uso de IA durante o período de campanhas eleitorais. O cientista político Benedito Tadeu César vê como um mecanismo extremamente válido, mas que ainda precisa amadurecer.
“A iniciativa é ótima e a existência dessa norma é necessária, mas faltam critérios dentro deste código. É necessário que fique claro sobre quais serão os métodos utilizados para avaliar essas ilegalidades”, comentou o especialista. “O uso que esses recursos de IA já têm está além da capacidade dos tribunais avaliarem, é um volume muito grande eles não tem essa rapidez”, completou.
Mirando nos indecisos
Para a professora Silvana Krause, devido a presença emocional marcante neste processo eleitoral, os candidatos majoritários tendem a não mirar na conversão dos eleitores, mas em buscar os indecisos. “As pesquisas têm mostrado que cerca de 35% dos entrevistados têm a possibilidade de mudar de voto, sem ter um candidato definitivo. O restante é dividido entre duas fatias que rejeitam um lado ou o outro”, pontuou a especialista.
Na leitura do cientista político Benedito César, as redes sociais já têm intensificado um favorecimento aos pré-candidatos que estão nos polos ideológicos. “A prova disso está nas primeiras pesquisas, que mostram figuras conhecidas que estão decolando e melhorando os índices conforme o tempo passa, já que não se identificam diretamente com nenhum dos lados”, comentou.
Até esta sexta-feira (25), os pré-candidatos para o governo do RS de partidos com presença no Congresso são Gabriel Souza (MDB), atual vice-governador; a ex-deputada Juliana Brizola (PDT); o deputado federal Luciano Zucco (PL); e Marcelo Maranata (PSDB), ex-prefeito de Guaíba.
Fonte: CP