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Trump diz que cessar-fogo com o Irã acabou

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que a trégua com o Irã “acabou” após os novos ataques entre as forças americanas e as tropas iranianas.

Trump chamou o Irã de “escória” e país governado por “malucos” depois que Teerã respondeu aos bombardeios americanos com ataques contra bases dos Estados Unidos no Golfo.

Os preços do petróleo dispararam imediatamente 5% após as declarações do mandatário americano. “No que me diz respeito, acabou”, declarou Trump durante a reunião de cúpula da Otan em Ancara, ao ser questionado se a trégua com o Irã ainda estava em vigor. “É apenas uma perda de tempo lidar com eles”, acrescentou.

“Eles são escória, são pessoas doentes, são liderados por pessoas doentes, e são pessoas perversas e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, eles a usariam”.

O presidente americano acusou ainda o Irã de distorcer repetidamente o que foi acordado na trégua assinada entre Washington e Teerã em 17 de junho. “Todos concordaram, nada de arma nuclear. Nós fizemos um acordo. Eles saem, fazem piada com a imprensa, dizem que nunca falamos sobre isso. Tem alguma coisa errada com eles, são malucos”, acrescentou Trump.

Irritação

Trump chegou “muito irritado” à reunião de cúpula da Otan em Ancara e distribuiu críticas para todos os lados, com ataques à soberania dinamarquesa da Groenlândia, aos gastos militares da Espanha e ao que considera falta de ajuda dos aliados na guerra contra o Irã.

Em uma conversa com a imprensa ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, antes da abertura formal da cúpula na capital da Turquia, o presidente republicano não poupou ninguém.

“Estou muito irritado com a Otan”, disse aos jornalistas. “Não estou satisfeito com a Otan pelo que fizeram com a Groenlândia, e não estou satisfeito com a Otan porque não quiseram nos ajudar com o principal Estado patrocinador do terrorismo, que é o Irã. Não estavam dispostos a nos ajudar”, afirmou.

O americano critica reiteradamente os parceiros ocidentais por não o apoiarem na guerra que, em conjunto com Israel, iniciou em 28 de fevereiro contra o Irã.

Groenlândia, de novo

Também voltou a destacar a questão da Groenlândia, uma imensa ilha ártica sob soberania da Dinamarca que, segundo ele, os Estados Unidos precisam para garantir sua segurança.

“A Groenlândia é um grande problema para nós”, declarou, antes de acrescentar que a ilha, onde Washington já dispõe de uma base militar, é “muito importante para os Estados Unidos, mas não é importante para a Dinamarca”.

“Precisamos dela para a proteção do mundo, não apenas dos Estados Unidos. Não ajuda a Dinamarca, mas nos ajuda”, completou. “A Groenlândia, é claro, não está à venda”, declarou mais cedo à imprensa a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.

No início do ano, a ameaça de Trump de tomar a Groenlândia à força colocou a Aliança Atlântica, da qual a Dinamarca é um Estado-membro, em uma situação difícil.

Após várias semanas de retórica agressiva, Trump baixou o tom e anunciou, em janeiro, um acordo sobre a Groenlândia com o secretário-geral da Otan, cujos detalhes continuam difusos.

Críticas à Espanha

O presidente americano também voltou a criticar a Espanha, que, segundo ele, não gasta o suficiente em Defesa e negou o uso de duas bases neste ano durante a guerra israelense-americana contra o Irã.

“A Espanha é uma causa perdida. Não queremos mais relações comerciais com a Espanha”, disse Trump. “Não participam, não pagam”, acrescentou.

Na cúpula da Otan em Haia no ano passado, a Espanha foi o único país que não assumiu o compromisso comum de elevar os gastos em defesa para 5% do PIB nacional até 2035, adotado sob pressão de Washington.

Desde então, Trump critica a Espanha e ameaça adotar medidas de retaliação comercial. No entanto, na relação com os Estados Unidos, é a UE, por meio da Comissão Europeia, que negocia as condições.

Uma fonte do governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, disse que o país recebe “com tranquilidade e normalidade” as críticas de Trump.

“Nosso país mantém uma relação social, cultural e econômica magnífica com os Estados Unidos e não é nossa intenção que isso mude”, afirmou a fonte, que lembrou que a relação comercial dos Estados Unidos com a União Europeia “não pode ser particularizada a nenhum Estado-membro”.

Fonte: CP