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RS tem 153 municípios sem serviços médicos privados e que dependem exclusivamente do SUS

O Rio Grande do Sul tem 153 municípios sem serviços médicos privados. O número representa quase um terço do total de 497 cidades. De acordo com o Ministério da Saúde, o estado é o 4º estado com mais municípios que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), atrás apenas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí.

Em Minas do Leão, na Região Carbonífera, são apenas dois médicos para atender a população de mais de 8 mil habitantes: um no posto de saúde da família e outro na Unidade Básica de Saúde (UBS). As únicas especialidades atendidas pelo SUS são pediatria ginecologia. Para as demais áreas, o município providencia nos consórcios ou encaminha para a central do estado.

”Seguido eu tô indo para Porto Alegre, São Jerônimo, Charqueadas. Se tivesse aqui seria bem melhor, mas não tem”, lamenta a dona de casa Efigênia Rosa de Abreu.

Conforme o secretário de saúde de Minas do Leão, Paulo César Wisniewske, quando o paciente não tem condições financeiras para algum exame há encaminhamento pelo sistema e o município arca com os custos.

”Minas do Leão é uma cidade muito pequena e nós temos aqui a vontade que o SUS funcione. Nós defendemos que o SUS, conforme diz na Constituição, faça o atendimento de toda a população como tem que ser. O município já oferece uma estrutura, vamos dizer, boa. Não aquela que a gente gostaria de ter porque, porque faltam profissionais especialistas, mas o município consegue dar um atendimento prioritário e, com isso, encaminhar para as referências”, diz Paulo.

A prefeitura de Minas do Leão afirma que destina 27,5% da sua receita para a saúde. O mínimo constitucional é de 15%.

”É impossível termos serviços de especialidades tanto em consultas quanto exames e assistência hospitalar em todo o território dos 497 municípios. Isso é insustentável, porque nós não teríamos recursos humanos e o custeio ficaria inviabilizado pelo tamanho de demanda”, explica a secretária estadual de saúde, Arita Bergmann.

Arita acrescenta que a alternativa é a regionalização da saúde. “Estamos formatando o plano de redução de filas do Ministério da Saúde para ampliarmos a oferta de serviços em hospitais que têm capacidade instalada e possam ofertar o aumento de atendimento”.

Fonte: G1/RS