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Alberto Guerra fará passagem de poder de gestão recheada de decepções

Do ex-barbeiro ao ex-roupeiro. Do vestiário aos gabinetes. Da menor patente dos funcionários ao Conselhos Deliberativo e de Administração. Em muitos lugares no Grêmio e fora dele, e em boa parte da torcida, respinga insatisfação com a gestão Alberto Guerra. A exatos um ano e um dia, a diretoria que a partir de hoje começa formalmente o processo de transição para dar lugar à nova, assumia em uma condição oposta a que deixará o clube nas próximas semanas.

“Honrar esse cargo é colocar este clube sempre em primeiro lugar”, disse Guerra em 16 de novembro de 2022. Em 36 meses de governo de fato colocou o Grêmio em primeiro lugar duas vezes. O hexa e o heptacampeonato gaúcho inflaram o sonho do inédito octa perdido no Gauhchão 2025. A perda do título que colocariam o ano e o presidente em página especial da história, no entanto, fez parte de uma série de decepções inerentes a quem ocupa o poder. Não se agrada todo mundo por uma razão ou outra.

O dirigente assumiu sem poder de barganha na renovação de contrato de Renato Portaluppi. Foi obrigado, por exemplo, a engolir o auxiliar técnico Alexandre Mendes contra a própria vontade.

O fenômeno Suárez foi insuficiente para esconder na largada do triênio que a política interna apontava rachaduras. Na verdade, até mesmo antes quando Danrlei, potencial parceiro da campanha, pulou do cavalo antes do apoio se concretizar. Paulo Caleffi, então vice de futebol, no primeiro semestre, foi “saído” após divergências com o presidente.

Veio 2024, o hepta estadual e logo depois, a enchente. Eis um momento nevrálgico do quadro da gestão. Inundadas, a Arena e a região ao redor do estádio atingida tiveram pouco empatia de quem comandava o clube. A decisão de ir treinar em São Paulo fez muita gente torcer o nariz, assim como escolhas de mandos de campo no Brasileirão que custaram pontos para o time na tabela de classificação.

Um grupo itinerante e o convívio diário muito acima do normal e por muito tempo ajudou a desgastar a relação de Renato com o vestiário. Exposto na maioria das vezes até para ser escudo da direção repetidamente melindrosa a explicações públicas, o treinador também foi perdendo energia. Ainda assim, o Grêmio vendeu caro eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores sem jogar na Arena e finalizou o Brasileirão no limite. E foi o limite também de Renato.

Guerra, que em anos de Grêmio trabalhara apenas pouco tempo com Silas e Roger Machado, e muito tempo com Renato, se via diante de um cenário novo. Mirou no português Pedro Caixinha e acertou no argentino Gustavo Quinteros. Algo semelhante ao começo da gestão quando mirou o CEO Cristiano Koehler e trouxe Márcio Ramos. Ou quando queria Rodrigo Caetano para o futebol e contentou-se com Luiz Vágner Vivian.

Quinteros durou pouco e deu lugar a Mano Menezes. Experiente, o técnico devolveu liderança ao vestiário e aguentou a série de reveses ao longo do ano em todas as competições. Depois, chegou Felipão com missão mais de blindagem aos de cima do que aos de baixo do cargo.

Fora de campo, os 4,61% dos votos da eleição de renovação do Conselho Deliberativo em setembro, somada à ausência de um candidato de Situação do pleito para presidente em novembro ajudam a compreender o quadro de decepções com Guerra. Além das pessoais com quem voltou a trabalhar com ele após antigas passagens e estranhou uma postura diferente, as profissionais por não enxergarem ali alguém capaz de dar ares vitoriosos ao clube.

Recentemente uma ação malsucedida de marketing expôs à instituição ao ver uma casa de apostas patrocinadora pedir dinheiro para o torcedor ajudar em uma grande contratação. William veio como uma das lideranças sadias que ficam para 2026 e os pais da “ação” foram embora, assim como a parceira.

Por fim, o gesto de Marcelo Marques ao comprar a gestão da Arena devolveu Guerra aos holofotes na reta final de seu mandato. Como coadjuvante, é verdade, pois o empresário foi o centro (da bancada no dia do anúncio) e das atenções. Marques termina 2025 chancelando Odorico Roman como novo presidente. Curiosamente o candidato derrotado por quem assumiu o Grêmio há três anos dando início à escala de decepções.

Fonte: CP