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Apelo de Alessandro Barcellos por união até agora não surtiu efeito no Inter

Mais de um mês depois de fazer um apelo público por paz e união, o presidente do Inter, Alessandro Barcellos, ainda não conseguiu ampliar sua base de apoio político dentro do clube. Apesar de reuniões com ex-presidentes, conversas com diferentes lideranças e tentativas de aproximação com movimentos organizados, o dirigente segue isolado nos bastidores do Beira-Rio, vendo a sua base de apoio se fragmentar. Por outro lado, a articulação que pedia o seu afastamento do cargo também perdeu força nas últimas semanas.

O clamor por união ocorreu logo após o Inter confirmar a permanência na Série A, na noite da vitória sobre o Bragantino, no Beira-Rio, por 3 a 1. Naquela ocasião, Barcellos concedeu entrevista em tom de autocrítica, reconheceu os erros da gestão e conclamou os diferentes grupos políticos a se somarem à diretoria no sexto e último ano de seu mandato. Chegou até a dizer que o último ano de sua gestão seria o primeiro do próximo. Ou seja, do seu sucessor, seja ele quem for.

“É o momento de corrigir erros. Assumimos a responsabilidade pelo ano muito ruim em termos de resultados. Sabemos o tamanho do desafio do ano que vem. E agora vamos precisar de todo mundo. Vamos precisar de paz, de união. Temos que trazer para o clube todos os colorados que podem ajudar”, afirmou o presidente, sinalizando a intenção de abrir espaço para integrantes da oposição dentro da diretoria em troca de apoio. “Temos que trazer para dentro da gestão as pessoas que querem contribuir”, completou.

Na mesma entrevista, mesmo com o alívio proporcionado pela permanência na elite, Barcellos admitiu que a temporada deixou marcas profundas. “É um alívio, mas ficaram cicatrizes profundas. Temos que ter capacidade de saber os limites e buscar ajuda. Temos que superar as divergências”, disse.

O problema é que o aceno não funcionou e, na prática, o movimento não avançou. A composição da diretoria permanece a mesma, sem qualquer alteração formal (pelo menos, de forma oficial), apesar de rumores sobre a possível saída de dirigentes ligados ao grupo Povo do Clube. Um dos principais trunfos nas negociações políticas, o cargo de vice-presidente de futebol segue vago, embora o preenchimento da função seja uma exigência do estatuto do clube. Além de não haver pressa para a escolha do novo dirigente do futebol, não há à disposição um nome que reúna conhecimento sobre o tema e um mínimo de vivência de vestiário.

Com apoio político cada vez mais fragmentado, Barcellos passa a enfrentar um ambiente de maior vigilância interna. Conselheiros de oposição, que agora são maioria, já indicam que as contas de 2025 serão analisadas com rigor redobrado, de lupa, em busca de eventuais inconsistências. Caso sejam identificadas falhas minimamente relevantes, não está descartado um movimento pela reprovação, algo raro na história do Inter e que ocorreu apenas uma vez, no segundo ano da gestão de Vitório Piffero (2015/2016).

Apesar do cenário adverso, um ponto joga a favor do presidente. O movimento que defendia o impedimento de Alessandro Barcellos, que segue na Europa a convite da CBF, perdeu força nas últimas semanas e, neste momento, o tema deixou de ocupar o centro do debate político no clube. Um pouco porque a maioria dos atores políticos acredita que o afastamento do presidente traria ainda mais instabilidade para o clube.

Fonte: CP