Caso Deise dos Anjos: inquéritos sobre bolo envenenado e morte de sogro serão enviados à Justiça na próxima semana
O chefe de Polícia do Rio Grande do Sul, Fernando Sodré, confirmou nesta sexta-feira que os dois inquéritos relacionados à Deise Moura dos Anjos, sendo um sobre o envenenamento seguido de três mortes em Torres em dezembro de 2024 e outro sobre a morte do sogro em setembro do mesmo ano, serão enviados à Justiça no próximo dia 20 de fevereiro. Inicialmente, a expectativa é de que a Polícia Civil concluísse as investigações ainda nesta sexta-feira.
Após ser encontrada morta na própria cela na Penitenciária Feminina de Guaíba na quinta-feira, Deise foi velada e sepultada nesta sexta-feira em Nova Santa Rita. Ela era suspeita de envenenar a farinha usada para fazer um bolo de Natal que levou à morte três pessoas, em Torres, no Litoral Norte. Além disso, as investigações deste caso levaram a polícia a suspeitar de que Deise também teria envenenado o próprio sogro, em setembro.
Sodré afirmou que Deise não chegou a pedir perdão nas mensagens escritas antes de ser encontrada morta na cela, mas pediu compreensão dos familiares, inclusive da sogra. “Ela quase que pedia ajuda aos parentes, incluindo a sogra. Deise pediu a compreensão dela, sob a justificativa de que ‘o passado seria impossível de mudar’”, disse Sodré.
Na cela também havia uma camiseta com um recado escrito de próprio punho. Deise estava no isolamento, separada das outras presidiárias. De acordo com policiais civis, a carta é uma espécie de desabafo e também são feitos comentários sobre a sua vida particular.
Sepultamento
O corpo de Deise foi sepultado em Nova Santa Rita, na Região Metropolitana. No cemitério do Caju, uma cerimônia breve e discreta marcou a despedida da mulher que era investigada por ser suspeita de ter causado a morte de quatro pessoas. O velório ocorreu um dia após Deise ter sido encontrada morta no estabelecimento penal onde cumpria prisão preventiva. Ao menos 30 pessoas, entre amigos e familiares, estiveram presentes aos atos fúnebres, que duraram menos de três horas. Não havia representantes da família dos Anjos.
Diego Silva dos Anjos, ex-marido de Deise, e o filho do casal, de 9 anos, não compareceram à cerimônia. Um dos momentos que emocionou a todos foi quando um desenho feito pelo filho do casal foi colocado sobre o corpo de Deise. Muitos não conseguiram conter as lágrimas. Ás 10h, houve o cortejo fúnebre. Um veículo transportou o caixão e os presentes, enfrentando o sol forte, o seguiram.
O esquife foi colocado na sepultura antes das 10h25min. Quase ninguém quis fazer declarações sobre o ocorrido, à exceção de um amigo da família. “Muita gente foi impactada por tudo o que aconteceu. Os familiares não têm qualquer relação com os casos investigados, mas sofrem as consequências e são alvo de ameaças”, disse o amigo da família, que não quis se identificar. “Acredito que eles (familiares) já não pensam mais se a Deise envenenou ou não um bolo, apenas lamentam a dor de tantas perdas, o que inclui a dela”, afirmou o homem.
Fonte: CP