Chuva supera 150 milímetros e atinge cidades da região Central do Rio Grande do Sul
A forte chuva entre a madrugada e a manhã desta quinta-feira contabilizou transtornos em diversos municípios do Rio Grande do Sul, principalmente na região Central, com registros de alagamentos, estradas bloqueadas e risco de elevação de arroios e riachos.
Segundo a MetSul Meteorologia, em Nova Palma, a chuva que acumulou 102 milímetros contabiliza estragos na comunidade da Salete, e os danos ainda estão sendo levantados. O Arroio Portela, com acumulados que superaram os 100 milímetros apenas na manhã desta quinta-feira, eleva o risco de transbordamento.
Em Faxinal do Soturno, foram 128 milímetros de acumulado de chuva. Um trecho da ERS 348 sobre a passagem do Arroio Guarda Mor foi totalmente bloqueado após a água cobrir a pista, impossibilitando a passagem de veículos, de acordo com o Coordenador Municipal da Defesa Civil, João Vito Martins Fraga. Outro acesso está bloqueado na linha Guardamor pela Rota do Sol. No centro da cidade, ruas ficaram alagadas no amanhecer, com registros nas avenidas Antônio Bozzeto e Vicente Pigato.
Em São João do Polêsine, o volume de chuva provocou rápida elevação dos cursos d’água. A situação mais delicada foi registrada no distrito de Vale Vêneto, onde riachos transbordaram e a água invadiu pátios de residências na comunidade da Linha da Glória.
Na região de Dona Francisca, na estrada do Formoso, a via foi coberta pela água. Na cidade, duas residências foram alagadas. Segundo a Defesa Civil, as famílias foram convidadas a evacuar o local, mas quiseram permanecer. As equipes do órgão estão no local levantando mais informações sobre danos.
Já em Agudo, o desvio entre o município e Dona Francisca seguia liberado no início da manhã, mas com lâmina d’água de cerca de 15 centímetros em alguns pontos, exigindo cautela entre os motoristas.
Em Santa Maria, a Estrada dos Fontana, na localidade de Três Barras, voltou a ficar totalmente trancada, impedindo a passagem de veículos após o aumento do nível da água.
Os acumulados atingiram 155 milímetros em Tupanciretã, 127 em Agudo, 12 em São Martinho da Serra, 120 em Itaara, 117 em Santa Maria, 114 em Jari, 112 mm Passa Sete, 111 em Silveira Martins, 110 em Lagoa Bonita do Sul, 107 em Candelária.
Em um intervalo de 12 horas, foram acumulados 95 milímetros em Sobradinho, 88 em Restinga Seca, 84 em São Borja, 79 em Bossoroca, 72 em Santiago, 68 em Júlio de Castilhos, 62 em Vale do Sol e 51 em Sinimbu.
Rio atmosférico
Um rio atmosférico persiste sobre o estado pelo quinto dia seguido, com chuva forte a intensa e alagamentos em diversos municípios desde o último domingo. De acordo com a MetSul, esse fenômeno transporta ar tropical quente e carregado de muita umidade diretamente da região amazônica para o Rio Grande do Sul por conta de um bloqueio atmosférico associado a um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis da Atmosfera (VCAN) sobre o Centro do Brasil.
Um rio atmosférico é uma extensa e estreita faixa de ar extremamente úmido que se desloca na atmosfera transportando enormes volumes de vapor d’água, muitas vezes equivalentes ao fluxo de grandes rios na superfície. Por isso são conhecidos também como rios voadores e costuma trazer chuva volumosa.
Previsão de mais chuva
A instabilidade persiste entre a tarde e a noite desta quinta-feira, com previsão de novos episódios de chuva forte, que poderão provocar acúmulo de água em pouco tempo. As regiões de maior risco são as do Centro para o Norte do estado, com previsão de acumulados de 50 a 100 milímetros em vários municípios, com risco de alagamentos, inundações repentinas e enxurradas.
O Centro, Planalto, Vales, Serra, Litoral Norte e a grande Porto Alegre estão entre as zonas de risco de chuva forte na segunda metade desta quinta-feira, adverte a MetSul.
No Centro gaúcho, o acumulado da primeira metade do dia e as novas previsões podem acumular volumes de 100 a 200 milímetros em alguns municípios. Nas regiões Oeste e no Sul, a chuva deverá ser mais localizada, mas sem descarte de risco de temporais.
A instabilidade deverá persistir no Rio Grande do Sul ao menos até domingo, com novos episódios de chuva forte e possibilidade de alagamentos, inundações repentinas, enxurradas e subida de arroios, córregos e rios.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu dois alertas para risco de tempestades. O mais severo é classificado pela cor Laranja, que indica “perigo”. Grande parte do território gaúcho pode ter chuva entre 30 e 60mm/h e 100 mm/dia, ventos intensos com rajadas que podem variar entre 60 e 100 km/h e queda de granizo.
Fonte: CP