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CIA é a responsável por primeiro ataque terrestre na Venezuela, diz imprensa dos EUA

O primeiro ataque terrestre dos Estados Unidos na Venezuela teria sido executado pela CIA. A informação, embora não tenha sido oficializada pelo governo norte-americano, é da rede de notícias CNN e do jornal The New York Times. Fontes com conhecimento da operação revelaram o suposto envolvimento da agência.

O presidente americano Donald Trump confirmou o ataque, mas não informação se foi uma operação militar ou da CIA, agência central de inteligência, nem onde o ataque ocorreu. Disse, apenas, que foi “ao longo da costa”.

O ataque mirou uma suposta operação do narcotráfico na América Latina. Washington aumentou nos últimos meses a pressão sobre o presidente venezuelano Nicolás Maduro, a quem acusa de dirigir o suposto Cartel de los Soles. Também na segunda-feira, ao receber o primeiro-ministro israelense no complexo de Mar-a-Lago, Trump confirmou a destruição de uma suposta área de embarque de drogas na Venezuela.

“Houve uma grande explosão na área do cais onde carregam as embarcações com drogas”, disse Trump. “Atacamos todas as embarcações, e agora atacamos a área, é a área de implementação […] e já não existe mais”, acrescentou.

Conversa com Maduro

Questionado se havia voltado a falar com Maduro após um telefonema em novembro, Trump disse que os dois haviam conversado “bem recentemente”, mas que o diálogo não havia resultado em “grande coisa”.

O presidente americano deu essas declarações ao responder a um pedido para que comentasse uma entrevista de rádio transmitida na última sexta-feira, em que ele pareceu reconhecer pela primeira vez um ataque terrestre contra cartéis das drogas na Venezuela. “Eles têm uma grande fábrica, ou uma grande instalação, de onde enviam, você sabe, de onde vêm os barcos”, disse Trump à emissora WABC, de Nova York. Trump não disse onde ficava a instalação nem revelou outros detalhes.

O governo da Venezuela não fez nenhuma declaração oficial. O Pentágono encaminhou as perguntas sobre o assunto à Casa Branca, que inicialmente não respondeu ao contato feito pela AFP.

Há semanas, Trump vem dizendo que os Estados Unidos começariam a realizar “em breve” ataques contra alvos em terra dos cartéis do tráfico de drogas na América Latina, e este parece ser o primeiro.

Tensão na região

Desde setembro, forças americanas realizaram vários ataques contra supostas embarcações de traficantes de drogas, tanto no Caribe quanto no Pacífico Oriental, que deixaram mais de 100 mortos. Na noite de segunda, o Comando Sul dos Estados Unidos anunciou na rede X um novo ataque no Pacífico no qual morreram duas pessoas, o que eleva para pelo menos 107 os mortos pela ofensiva americana na região.

A publicação inclui um vídeo em preto e branco do chamado “ataque cinético letal” contra uma embarcação, que mostra o que parecem ser duas explosões e destroços em chamas.O governo Trump não apresentou provas de que as embarcações atacadas estivessem envolvidas no tráfico de drogas, o que suscitou um debate sobre a legalidade dessas operações.

Especialistas em direito internacional e organizações de defesa dos direitos humanos afirmam que os ataques provavelmente constituem execuções extrajudiciais, uma acusação que Washington nega.

À destruição de lanchas supostamente usadas pelo tráfico se soma o bloqueio ordenado por Trump a todos os petroleiros sancionados por Washington que entrarem e saírem da Venezuela. Dois navios foram apreendidos. Washington acusa Caracas de usar a venda de petróleo para financiar “o narcoterrorismo, o tráfico de pessoas, os assassinatos e os sequestros”.

A Venezuela nega qualquer envolvimento com o tráfico de drogas e considera que Trump deseja derrubar Maduro para tomar as reservas de petróleo venezuelanas, as maiores do planeta. Especialistas afirmam que o chamado “Cartel de los Soles” funcionaria mais como uma rede de corrupção permissiva com atividades ilícitas, do que como uma organização de tráfico de drogas.

Fonte: CP