Dengue: RS tem redução de casos confirmados, mas casos investigados exigem atenção
Prestes a entrar no maior período de sazonalidade da dengue, o Rio Grande do Sul registra, até o momento, 140 casos confirmados da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O número é menor do que no mesmo período do ano passado, quando foram 859 casos confirmados. “A gente vê uma redução bem significativa”, analisa Valeska Lagranha, bióloga do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs). No entanto, leva um tempo desde a notificação de suspeita até a confirmação no sistema para que os casos sejam confirmados.
É necessária atenção para os casos que ainda estão em aberto: até o momento, na semana epidemiológica 7, são 2,6 mil casos em investigação, notificados ainda em fevereiro. “Se a gente for ver os casos prováveis, que são aqueles aqueles já confirmados, e que ainda estão em investigação, nós estamos com um número maior comparado ao mesmo período do ano anterior”, afirma Roberta. Portanto, ainda não é possível afirmar por completo que houve uma redução nos casos. No painel de casos de dengue da SES, a taxa de incidência por 100 mil habitantes era de 1,96 até a semana 6 de 2025. Já neste ano, a taxa está em 4,42.
“A gente está monitorando, temos olhado para os municípios que estão com maiores números de casos suspeitos, e estamos monitorando para ver se, nos próximos dias, esses casos serão confirmados ou se serão descartados”, diz a bióloga.
Muitos casos investigados acabam sendo descartados, mas depende da sazonalidade da dengue. “Se a gente olhar para isso lá em junho e julho, que é o inverno, a grande maioria é descartada. Mas quando a gente começa a entrar na sazonalidade da dengue, que é o verão, a grande maioria acaba sendo confirmada”, explica Valeska.
Historicamente, os casos de dengue começam a aumentar em fevereiro e março, com maior pico em abril, por volta das semanas epidemiológicas 16 e 17. O momento é, portanto, de ampliação da curva, com maior transmissão da dengue e incidências.
“É o período que a gente precisa ter mais atenção com os nossos cuidados de proteção individual, de uso de repelente, de evitar o acúmulo de água para evitar a proliferação do mosquito. Aquele cuidado de atenção que o morador tem que ter, claro, ao longo do ano, mas um reforço redobrado nesse período de maior transmissão, que é onde a gente sabe que vai ter maior circulação eh do vírus no Estado”, explica a bióloga. A população deve estar atenta a qualquer sintoma que remeta à doença – febre alta, dor atrás dos olhos, náuseas e manchas pelo corpo – e procurar atendimento o quanto antes.
Até o momento, o Rio Grande do Sul registra 4,7 mil casos notificados. Eles são registrados após qualquer cidadão procurar atendimento em serviço de saúde, desde um laboratório privado, teste rápido de farmácia, serviço de atenção primária e hospital. Os casos são, então, notificados às vigilâncias municipais. Já os casos em investigação envolvem pessoas que ainda não têm um diagnóstico.
O Centro de Vigilância compara os casos de municípios com auxílio das regionais de saúde por território. Municípios que estavam entre os com mais confirmações de dengue no ano passado, como Alvorada, Viamão e Novo Hamburgo, neste ano ainda não apresentaram casos notificados, investigados e confirmados tão altos. Historicamente, aqueles municípios que têm uma epidemia no ano, dificilmente enfrentam outra epidemia no ano seguinte, explica Roberta. “No outro ano, eles tendem a não ter tantos casos. Têm, sim, casos de dengue, mas não no mesmo volume, na mesma intensidade que o ano anterior”.
Ao ter dengue, a pessoa fica imune ao sorotipo que foi infectada. Em Porto Alegre, Alvorada e Viamão, por exemplo, a circulação predominante foi dos sorotipos 1 e 2 (DENV-1 e DENV-2). “O que nos preocupa é a introdução de outros sorotipos. Então, a gente vem monitorando”, afirma a bióloga. No ano passado, o município de Sapucaia do Sul registrou alta circulação do sorotipo DENV3, que não circulava no estado há muitos anos.
No início do mês, a Secretaria Estadual da Saúde informou que a vacinação está sendo ofertada em todos os municípios do Rio Grande do Sul. A ampliação dos locais de abrangência segue decisão do Ministério da Saúde, publicada recentemente, e mantém como público-alvo as crianças e os adolescentes de dez anos a 14 anos, que devem receber duas doses do imunizante com intervalo de três meses entre elas.
Até então, a estratégia de vacinação estava restrita a regiões específicas, as quais, no Estado, abrangiam 145 municípios e haviam sido definidas com base no histórico de casos. Com a nova medida, a imunização passa a alcançar todo o território gaúcho, beneficiando cerca de 630 mil crianças e adolescentes que se encontram na faixa etária elegível.
Veja os 10 municípios com mais casos confirmados e em investigação
| Município | Casos confirmados | Casos investigados |
| Santa Cruz do Sul | 16 | 30 |
| São Leopoldo | 5 | 141 |
| Porto Alegre | 4 | 1.234 |
| Novo Hamburgo | 5 | 92 |
| Bento Gonçalves | 5 | 7 |
| Sapiranga | 4 | 78 |
| Passo Fundo | 3 | 60 |
| Campo Bom | 2 | 43 |
| Canoas | 4 | 25 |
| Cruz Alta | 3 | 10 |
Fonte: CP