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Emoção marca recolhimento de pertences de alunos em escola alvo de ataque em Estação

A Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi, em Estação, no Norte do Estado, abriu os portões na manhã desta quinta-feira, dois dias após o ataque a faca de um jovem de 16 anos que deixou uma criança morta, Vitor André Kungel Gambirazi, 9 anos, aluno do 3º ano, e outras três pessoas feridas, duas alunas e uma professora da instituição. Orientados por professores e funcionários, o colégio entrou em contato com os pais, permitindo a eles buscarem os pertences dos alunos que estavam no local desde o incidente, já que os estudantes deixaram as salas durante o tumulto.

A dona de casa Fabiana Bueno, moradora de Estação há dois meses, vinda de Erechim, antes de coletar a mochila de seu filho Isack, 9 anos, aluno do 4º ano, bateu palmas em frente ao portão da aposentada Ercinda Dala Corte, que mora em frente ao colégio, para agradecer com um abraço apertado. Ercinda abrigou 12 crianças em casa durante o ataque, entre eles o filho de Fabiana, que tem transtorno do espectro autista (TEA).. “O que ela fez foi algo sem palavras”, disse a mãe, sem esconder a emoção.

Ela contou que recebeu várias ligações em seu telefone celular, mas não viu para atender, e não ficou sabendo do ataque até Isack ser trazido à casa da família. Outro filho, de cinco anos, é aluno do turno da tarde. “Não conheço direito a cidade, e a gente nunca imagina que isso vai acontecer em município pequeno”, relatou. “Fiz com muita gratidão e faria tudo de novo, mas tomara que não precise”, acrescentou Ercinda. O colégio não tem data para retomar as atividades, é mais cartazes foram postos em frente ao portão, assim como vasos de flores, depois do protesto de pais de alunos na tarde de quinta-feira, cobrando mais segurança por parte da Prefeitura.

Outra que esteve na escola nesta quinta para buscar pertences foi a irmã de outro estudante do 4º ano, Dienifer Amanda Pinkoski, 19 anos. As palavras dela eram de indignação. “Não queremos mais trazer ele para o colégio. Moramos no interior e não temos condições de mandar ele para outro lugar. Não sabemos como vai ser a partir de agora, porque poderia ser ele a estar morto”, relatou ela. As investigações do caso prosseguem, enquanto Vitor foi sepultado na quarta-feira no município vizinho de Getúlio Vargas, onde mora sua família.

Fonte: CP