Ex-prefeito de Lajeado é preso em operação da Polícia Federal
Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado e ex-secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, foi preso temporariamente em diligências da segunda fase da Operação Lamaçal, deflagrada nesta quinta-feira contra supostos delitos de administração pública e lavagem de dinheiro. De acordo com a Polícia Federal, os crimes investigados envolveriam desvio de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), repassados à administração do município do Vale do Taquari nas enchentes de 2024.
A reportagem contatou o advogado Jair Alves Pereira, à frente da defesa de Marcelo Caumo, que afirmou estar sem acesso aos autos. “Não há como ter um posicionamento agora, pois sigo sem ter acesso ao conteúdo da prisão. Não sei o que motivou tal medida e, muito menos, a fundamentação do decreto. Assim que houver acesso a esse conteúdo, terei posição da defesa”, disse o advogado. O espaço permanece aberto para demais manifestações.
Uma empresária também teve prisão temporária decretada por ordem do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Outros 20 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre, além de Lajeado. Houve ainda o afastamento do cargo de uma vereadora, em Encantado.
A primeira fase da Operação Lamaçal aconteceu em novembro do ano passado. Segundo a PF, o material apreendido na ocasião corroborou a hipótese de possível direcionamento de certames, identificando teóricas irregularidades em três licitações da Prefeitura de Lajeado com empresas de um mesmo grupo econômico, contratadas para prestação de serviços de assistência social. Ainda de acordo com a PF, tais contratações não teriam observado a proposta mais vantajosa ao município, ocorrendo por valores acima dos preços de mercado.
Também conforme a PF, foram verificadas supostas irregularidades na contratação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista. Na época, aponta a investigação, houve dispensa de licitação, sob a justificativa do estado de calamidade pública de Lajeado após o dilúvio, resultando na contratação direta da empresa investigada. Tais contratos teriam somado cerca de R$ 120 milhões.
Os investigados poderão responder pelos crimes de desvio, ou aplicação indevidamente, de rendas ou de verba pública; de contratação direta ilegal, de fraude em licitação ou em contrato, de corrupção passiva, de corrupção ativa, de associação criminosa e de lavagem de dinheiro.
O governador Eduardo Leite anunciou Marcelo Caumo como titular da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedur) em abril de 2025, mas ele deixou o cargo em novembro, logo após o início da Operação Lamaçal. “Mesmo sem ter ciência ainda dos dados do processo, a gente vai fazer as defesas, mas fica com aquele sentimento de injustiça muito latente no coração”, escreveu o ex-prefeito de Lajeado na época, em publicação nas redes sociais. No mesmo período, o Executivo Estadual pontuou em nota que a investigação não teve relação com o trabalho de Caumo na pasta.
Fonte: CP