“Foi a tragédia mais triste e devastadora possível”, diz prefeito de Erechim após granizo deixar mais de 110 feridos
O prefeito de Erechim, Paulo Polis, descreveu a situação no município após o temporal de granizo na tarde de domingo como “sem precedentes”. “Foi a mais triste e devastadora possível. Para se ter uma ideia, caíram pedras do tamanho de bolas de bilhar. Ainda não temos uma dimensão total do estrago”, disse ele na manhã desta segunda-feira. Segundo Polis, mais de 50% da população da cidade, que tem cerca de 110 mil habitantes, foi afetada direta ou indiretamente. “Telhados de quatro milímetros viraram uma peneira. A recuperação vai ser uma longa travessia”.
Ao todo, segundo o relatório da Defesa Civil Municipal, 113 pessoas ficaram feridas, sendo que uma delas está na UTI, mas estável. Foram 73 atendidos no Hospital Santa Terezinha, mais 15 no Hospital de Caridade e 25 na UPA. Muitos deles foram com estilhaços de vidro, segundo Polis. O número de atingidos pode ter aumentado porque ontem foi o último dia da Expo Erechim, que levou centenas de pessoas aos pavilhões do Parque da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE).
O prefeito não descartou lançar uma campanha SOS Erechim, em um segundo momento, para angariar apoio de fora da cidade. A força de trabalho, conforme ele, está se concentrando na distribuição de lonas plásticas para uma barreira de proteção básica contra o clima, e a procura não cessa desde ontem. A Prefeitura, que decretou estado de emergência e calamidade pública, chegou a avaliar a possibilidade de abrigar pessoas sem condições de entrar em suas casas em um hotel da cidade.
Dezenove famílias estão desabrigadas, e foram levadas ao Ginásio do 60+, que funciona como um abrigo provisório, três ao Abrigo Cidadão e outras nove a um abrigo terceirizado pela Secretaria de Assistência Social. Ao todo, 4.918 famílias e 17.877 pessoas foram afetadas, segundo atualização da administração pública às 7h15min desta segunda-feira. Também 15 escolas municipais, 20 estaduais, 12 unidades básicas de saúde (UBSs), três CAPSs, três CRASs e o prédio da Secretaria Municipal da Saúde foram atingidos.
Por ora, o principal desafio, disse Polis, é conseguir materiais definitivos. Não há mais telhas de cimento (brasilit) na cidade, e todos os estoques das lojas estão esgotados. “Parece que estamos enxugando gelo, porque tu vai entregando, e vai chegando mais gente. É uma loucura”, resumiu o prefeito, afirmando ainda que está buscando conseguir estes materiais fora da cidade. Não há aulas na rede pública hoje, e há o trabalho de tentar retomar os atendimentos nas UBSs à tarde.
O pronto-socorro está funcionando, porém cirurgias eletivas foram canceladas. O governador Eduardo Leite e o vice-governador Gabriel Souza entraram em contato e ofereceram ajuda. A Defesa Civil Estadual foi enviada, incluindo caminhões com estrutura de apoio, Corpo de Bombeiros e drones para avaliar a dimensão dos estragos, assim como regiões vizinhas a Erechim também estão prestando auxílio.
Conforme a RGE, 326 clientes estão sem energia elétrica nesta manhã, e 25 equipes externas estão em deslocamento a partir de Nova Prata, Lagoa Vermelha, Palmeira das Missões e Passo Fundo para atuar na cidade. A sede do Grupo de Resposta a Atendimento de Urgência (Grau), na Av. Caldas Júnior, 597, bairro Três Vendas, segue sendo referência para distribuição de lonas.
Fonte: CP