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Frente fria intensa associada a ciclone bomba traz risco de vendavais ao Rio Grande do Sul

Frente fria associada a um ciclone extratropical muito intensa vai avançar pelos estados do Centro-Sul do Brasil com alto risco de tempo severo e elevada probabilidade de vendavais. Há risco de vento forte a intenso antes, durante a passagem da frente fria e após a chegada do sistema frontal, alerta a MetSul Meteorologia.

Um processo de ciclogênese está em curso neste momento na costa da Argentina e vai dar origem a um ciclone bomba na costa do país vizinho nesta sexta-feira (8). Uma frente fria associada à ciclogênese se formou e avança pelo Uruguai e vai avançar pelo Rio Grande do Sul nas próximas horas.

A formação do sistema começará a partir de uma área de baixa pressão atmosférica que avançou do Pacífico Sul para o Atlântico. Na costa da Argentina, junto à província de Buenos Aires e ao estuário do Rio da Prata, o sistema começará um rápido processo de aprofundamento no final desta quinta-feira (7) e durante a sexta-feira.

Modelos numéricos indicam que a baixa pressão permanecerá quase estacionária entre esta quinta e sexta-feira, passando por período de intensificação extremamente rápida. É justamente neste momento que ocorrerá a chamada ciclogênese explosiva, processo conhecido popularmente como formação de um ciclone bomba.

Para que um ciclone receba esta classificação, é necessário que a pressão atmosférica em seu centro caia ao menos 24 hPa em 24 horas. As projeções atuais indicam exatamente esta condição, com a pressão central despencando de aproximadamente 991 hPa para 967 hPa em apenas um dia.

A tendência é de que o ciclone atinja o auge de sua intensidade entre sexta-feira e o sábado (9), quando o sistema começará lentamente a se afastar da América do Sul ainda com grande intensidade. Embora o centro do ciclone não avance ou sequer se aproxime do Brasil, seus efeitos serão sentidos em áreas muito extensas do continente.

Os ventos mais extremos devem ocorrer sobre o mar e nas áreas costeiras da Argentina e do Uruguai. Em setores do litoral argentino e uruguaio, as rajadas poderão ultrapassar 100 km/h.

A ciclogênese deve provocar uma série de fenômenos com elevado risco de impactos: vento do quadrante Norte forte a intenso antes da chegada da frente fria, risco de fortes vendavais durante a passagem da frente e vento moderado a forte no ingresso do ar frio pós-frontal.

Vento Norte

Inicialmente, um dos principais efeitos associados ao ciclone será o fortalecimento de uma corrente de jato em baixos níveis da atmosfera. Trata-se de um corredor de vento quente localizado em torno de 1500 metros de altitude que transporta ar quente das latitudes tropicais em direção ao Sul do continente.

No Rio Grande do Sul, o vento Norte deverá soprar com moderada a forte intensidade em grande número de municípios nesta quinta-feira e nas primeiras horas da sexta-feira.

Em muitas cidades, as rajadas devem variar de 40 km/h a 60 km/h, mas em áreas de encosta, vales e regiões serranas são esperadas rajadas entre 70 km/h e 90 km/h. Em pontos isolados, sobretudo em locais sujeitos ao efeito do relevo, não se descartam rajadas ao redor ou acima de 100 km/h.

O vento Norte pelo jato de baixos níveis já começou a soprar e com transtornos. Dados de estações meteorológicas até o final da manhã desta quinta-feira (7) indicaram rajadas de 89 km/h em Bagé e São Gabriel, 84 km/h em Pedras Altas, 77 km/h em Itaqui, 76 km/h em Alegrete e 73 km/h em Júlio de Castilhos.

Fonte: O Sul