fbpx
EconomiaGeral

Frigoríficos suspendem exportação para EUA após tarifa de 50%; ex-ministro Francisco Turra analisa impactos

A imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo governo dos Estados Unidos já começa a provocar impactos diretos no setor agroindustrial. Frigoríficos de Mato Grosso do Sul anunciaram a suspensão da produção de carne destinada ao mercado norte-americano, medida que levanta preocupações sobre os efeitos da decisão no mercado interno e nas exportações brasileiras.

O ex-ministro da Agricultura e presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, afirmou que o anúncio norte-americano surpreendeu o setor produtivo. Segundo ele, a sobretaxa atinge diversas cadeias do agronegócio, como madeira, café, sucos, carnes e outros produtos, tornando-os inviáveis economicamente para exportação. “Cinquenta por cento é muito difícil, é a mesma coisa que dizer: eu não te quero aqui”, afirmou.

Turra ressaltou que a medida afeta também o consumidor norte-americano, que terá de pagar mais caro pelos produtos brasileiros, e que esse custo adicional pode gerar pressão interna nos Estados Unidos. Ele acredita que o importador americano pode se tornar um aliado do Brasil na tentativa de reverter a decisão. “O próprio importador vai ser nosso parceiro. Eles agregam valor ao produto brasileiro e geram empregos. Isso deve pesar na hora da negociação”, avaliou.

A busca por mercados alternativos, segundo Turra, não é imediata. Ele explicou que há possibilidade de redirecionamento da produção para outros países, mas isso exige tempo e novas negociações. “Não é uma coisa no estalar de dedos. É uma negociação toda, é uma abertura que tem que ser dada”, comentou. Apesar do impacto, ele afirmou que frigoríficos do Rio Grande do Sul ainda não alteraram suas operações em função da tarifa, uma vez que o estado não tem os Estados Unidos como destino predominante das exportações de carne bovina.

O ex-ministro observou que há uma mobilização diplomática para tratar do tema. Destacou a atuação do vice-presidente Geraldo Alckmin e de empresários brasileiros, que encaminharam carta formal ao governo dos Estados Unidos solicitando abertura de diálogo. Para Turra, medidas unilaterais como a anunciada pelo governo norte-americano desrespeitam o espírito do comércio internacional. “No comércio internacional, uma coisa que não poderia acontecer é isso: livremente um país chegar e dizer que vai impor cinquenta por cento de sobretaxa”, afirmou.

Francisco Turra também acredita que a sobretaxa não deverá se manter por muito tempo. Segundo ele, ações abruptas e sem lógica tendem a ser revistas. “Eu não acredito que vá durar. Acho que num primeiro momento pode haver adiamento da medida, para abrir espaço a uma negociação. O ideal seria a retirada da tarifa”, avaliou. Ele também alertou que a sobretaxa afeta insumos importados do setor agropecuário, o que pode aumentar os custos de produção no Brasil. “Nós gastamos oitocentos milhões de dólares por ano com medicamentos e insumos dos Estados Unidos. Isso vai ficando difícil, porque o custo aqui aumenta”, explicou.

Turra acrescentou que o consumo elevado nos Estados Unidos, impulsionado por uma população flutuante devido ao turismo, contribuiu para um aumento na demanda por proteína animal brasileira. Segundo ele, a reacomodação do mercado deverá ocorrer com o tempo, desde que haja racionalidade por parte das autoridades envolvidas.

Fonte: Uirapuru