Haaaaamilton Seeeenna do Brasiiiiil!
Você ama algum esporte? Eu amo automobilismo e aconteceu algo bem bacana por causa dele, neste domingo. Eu estava no autódromo de Interlagos, provavelmente meu lugar preferido, cheio de histórias, lendas e momentos. Encharcado de chuva, sim. Mas a chuva foi o tempero final para a homenagem do cara que mais brilhou na Fórmula 1 com pista molhada.
Eu vi Hamilton Senna do Brasil rasgar o asfalto de Interlagos com o McLaren V10 roncando forte e fazendo tremer as estruturas do GP de São Paulo. Sim ocorreu um amalgama, o megazord da emoção naquele aguaceiro que fez lembrar 1993, quando a torcida brasileira invadiu o autódromo na apoteose maior do tricampeão.
Hamilton chegou em seu patinete, sozinho, com um macacão todo branco, especial para a ocasião. Conversou brevemente com Bruno Senna, o sobrinho que tinha ajudado na preparação final do McLaren MP4/5B e, então entrou no cockpit.
Sentou, segurou a direção firme, com as duas mãos e deu um grande sorriso dentro do capacete, enquanto conversava com os mecânicos da McLaren. O McLaren foi empurrado para fora da garagem da Honda, no miolo do circuito e veio o girar de dedo, a ordem de ligar o motor.
Aquele rasgo sonoro em meio ao aguaceiro foi a primeira sacudida em Interlagos. No meio dos gritos, porém, a galera talvez nem tenha notado que o motor, ainda frio, morreu duas vezes. Na terceira arrancada, porém, Hamilton disparou para a reta oposta, apenas com uma leve engasgada quando engatou a terceira marcha.
Arrancada foi difícil, com motor frio | Foto: Bernardo Bercht / Especial CP
A vibração em Interlagos seguia o motor V10, ressoando em todos os cantos do autódromo. Houve, então, um breve silêncio quando subiu o Tema da Vitória, nas caixas de som… Foi uma surpresa, ainda que provável. E a galera subiu o volume da festa.
Que foi completa na terceira volta. Na maior nostalgia possível. Lewis parou na subida da reta e acenou para um fiscal. Veio a sonhada bandeira brasileira, que ele levantou na maior altura possível. Interlagos explodiu, tremeu, até o ronco do Honda V10 foi abafado, pois era a vitória do Hamilton Senna do Brasil.
Trinta anos que não são esquecidos e são lembrados a 300 quilômetros por hora, na chuva, no sol, em Interlagos, Mônaco, Silverstone, Suzuka, Tarumã, Londrina, Goiânia… Qualquer lugar com um autódromo no planeta.
Fonte: CP
Foto: Bernardo Bercht / Especial CP